Posts com Tag ‘Vicent Gallo’

Nennéte et Boni (1996 – FRA)

Claire Denis expõe de maneira tão naturalista alguns temas que parecem os dramas mais corriqueiros do mundo (ok, talvez sejam mesmo). A gravidez na adolescencia aqui é tratada com pesar, com drama, mas de maneira tão comum que mais parece uma mera briga de casais. Novamente a cineasta voltava a esse contato com o universe jovem, os atores Grégoire Colin e Alice Houri atuam como irmãos novamente. E como irmãos brigam, uma relação conturbada, não que não haja fraternidade (principalmente nos momentos dificeis). Ela foge do colégio e da casa do pai, ele mora sozinho e se mantém afastado da figura paterna. Enquanto essa relação familiar conturbada se desenvolve, o garoto vive como pizzaiolo num trailer por Marselha, e tem sonhos eróticos com a esposa (Valeria Bruni-Tedeschi) do padeiro (Vicent Gallo). E nesse universo Claire Denis começa seu “estudo” sobre os corpos, desvendando seus mistérios em cenas que não são só eróticas, e sim contemplativas.

U.S. Go Home (1994 – FRA)

Duas “pirralhas” entram numa festinha (daquelas que o pai de alguém vai viajar e a casa fica livre), tentam se ambientar aqui e ali até encontrarem lugar num sofá ao lado da sangria. Try a Little Tenderness invade o ambiente, uma delas se levanta, vai até um grupo de garotos, pede um cigarro, é convidada a dançar, a música aumenta o tom, os corpos se aproximam, a camera abre para outros casais que também dançam, que se beijam, sinta o swing oferecido pela cineasta Claire Denis, mais uma garota que está inserida definitivamente no mundo da sedução.

Serão 24 horas na vida de três jovens, sedentos por conhecer o sexo, amadores que fuma, ouvem rock, brigam entre si ou com os pais, buscam autoafirmação.  Uma base de soldados americanos fica na região, em contato com um deles o garoto dispara: “soou comunista, não bebo Coca-cola”. Eles têm a rebeldia como ferramenta, quando queremos apenas sentir, descobrir, conhecer, almejam viver, tudo aquilo que veem nos filmes, ouvem nas músicas, tudo que consomem. E Claire Denis invade esse universo, com absoluta lisura, a sofisticação que seu cinema ganharia no futuro aqui dá espaço para uma complete inserção no universo adolescente, filma toda aquela festa como quem viveu tudo aquilo e sabe muito bem as reações de garotos e garotas, as fraquezas e traquejos. Seu olhar sempre particular, busca, dessa vez, essa necessidade de perda da inocencia, nesse telefilme da série Tous les Garçon et les Filles de Leur Age (pertencente à mesma série, as semelhanças com Água Fria de Olivier Assayas não são mera coincidencia) .

Essential Killing

Publicado: março 14, 2011 em Cinema
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Essential Killing (2010 – POL/NOR/IRL/HUN)

Um barburdo Vicent Gallo faz às vezes de um talibã capturado pelo exército americano no Afeganistão. Levado a um presídio num país de inverno rigoroso, o carro sofre um acidente e começa uma caça por entre uma floresta gelada e coberta de neve. Não espere uma fala do protagonista, não espere economia de sofrimento na direção de Jerzy Skolimowski. Filmar esse filme deve ter sido tenebroso, o inverno rigoroso ultrapassa a câmera, os cães e soldados perseguindo enquanto o sangue e suor mancham as roupas, formam um retrato visceral e cru da luta pela sobrevivência a qualquer custo. Comer tronco de árvore ou formigas, o desespero dos pés descalços enfrentando uma temperatura de muitos graus negativos torna-se uma incessante corrida contra a captura iminente. O show de Skolimowski em extrair do silêncio e do branco da neve um filme revigorante e tão consistente só faz jus à atuação magistral e muda de Vicent Gallo, estão ali a dor, o medo, o desespero, a necessidade da vida pela vida.