Posts com Tag ‘Viggo Mortensen’

capitaofantasticoCaptain Fantastic (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Vivemos o boom da informação, uma rápida busca no Google e Youtube e já se consegue ser especialista em assuntos até então desconhecidos, todas as respostas possíveis estão acessíveis. Nesse aspecto, criar filhos se tornou a arte obrigatória da superproteção vide cartilhas espalhadas em sites, revistas e cursos especializados. Já ultrapassaram os limites do neurótico, e em breve saberemos qual o futuro dessa geração tão superprotegida de todos os germes, males, e cobertas das mais perfeitas técnicas de educação familiar.

O diretor Matt Ross (premio de melhor direção na Un Certain Regard) tenta propor a quebra radical dessa equação. O Capitão Fantástico é John (Viggo Mortensen), pai de seis filhos que junto da esposa decidiram abandonar as regras da sociedade e criar suas crianças do seu jeito, no meio da floresta. Alfabetizados pelos pais, com acesso restrito ao convívio com outros humanos, e sob rígidos cursos familiares, a família se posiciona entre o militar e o hippie.

Metade do filme posiciona as vantagens do conhecimento adquirido, muito acima da média, pelos filhos. Até, finalmente, apresentar o elemento conflitante do roteiro, e pouco-a-pouco apontar asa fragilidades do conceito. O discurso de uma esquerda radical se perde exatamente em conceitos morais elementares, e o roteiro não se sustenta bem além de uma aventura liderada por um teimoso dono da razão. É pouco para o frisson causado em Cannes.

jaujaJauja (2014 – ARG) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Sem dúvida o mais ambicioso trabalho de Lisando Alonso. Ele novamente revista o sul gelado argentino, dessa vez os personagens partem na busca, de um local mitóligico, que muitos tentaram encontrar, mas ninguém voltou de lá para contar. O protagonista é um militar dinamarquês, da época das caravelas, Gunnar Dinesen (Viggo Mortensen), que viaja com sua filha adolescente, nessa expedição por Jauja.

A caracterização de filme de época, o espanhol carregado de sotaque de Mortensen, os personagens levemente asquerosos que orbitam a região. Nada causa tanta estranheza quanto a viagem delirante, talvez incompreensível, que guarda elementos do mundo fantástico. Uma espécie de filme-enigma proposta pelo cineasta argentino, que continua com seu trabalho de longos planos estáticos, de explorar a natureza à sua volta, de ritmo cadenciado, dessa vez explorando a janela (4:3), e a fotografia, no intuito de dar impressão de uma fotografia antiga.

Tamanha ambição técnica, e virtuosismo fílmico, passam a ser mais importantes que a própria expedição. Afinal, o militar abandona o objetivo para encontrar a filha que fugiu com um soldado. Alonso cria um faroeste arcaico, cheio de desconexão de personagens enigmáticos, Jauja como um sujeito oculto, o inebriante que tenta confundir e pouco dizer. Alonso não parece perder o controle, como também não faz questão nenhuma de buscar a lógica. Os personagens são movidos por seus instintos, por diálogos que confundem, mas deesnvolvimento sob um cinema de alto vigor em estilo.

A Dangerous Method (2011 – ING/ALE/CAN/SUI)

 A fascinante história da relação entre Carl Jung e Sigmund Freud, contada com elegância por David Cronenberg. Início do século XX, o pai da psicanálise (Freud – Viggo Mortensen) enxerga em Jung (Michael Fassbender) seu discípulo, há uma enorme discussão cientifica sobre os rumos científicos dessa especialidade da medicina. Freud prega que todos os disturbios estão ligados à sexualidade (ok, comentário raso, não cabe aqui detalhar suas teorias), e uma corrente de psquiatras segue suas teorias, entre eles Jung. A trama dá inicio quando Jung começa o tratamento com Sabina Spielrein (Keira Knightley) sensivelmente atormentada, altamente culta.

Enquanto assistimos aos desdobramentos da relação Jung-Sabina, as dicussões cientificas entre Freud e Jung tornam-se acaloradas, rumo ao distanciamento de ideias. Cronenberg capta isso muito bem, de forma sutil e extremamente elegante, ele conduz as diferenças e discussões, assim como toda a carga sexual nas interrelações entre médicos e pacientes. São pessoas que gostam de discutir, de argumentar, e brincam de falar de si mesmas, como se pudessem permanecer invulneráveis aos comentários.

umcrimeperfeitoA Perfect Murder (1998 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um grande e falido magnata (Michael Douglas) de Wall Street trama um plano diabólico na ânsia de recuperar suas divisas: assassinar de sua esposa (Gwyneth Paltrow). Para isso, envolve o jovem pintor (Viggo Mortensen) e amante da esposa, no “crime perfeito”. É mais um destes capítulos da banalidade do cinema. O diretor Andrew Davis comanda o roteiro cheio de reviravoltas e surpresas, de planos que não sabem como havia sido planejado, de chantagens, escândalos e arrependimentos. Crises conjugais e relações extraconjugais, golpistas procurados pela policia, famílias ricos, herança. Não falta nenhum ingrediente do clichê dos filmes de suspense. Michael Douglas com ar diabólico, Gwyneth Paltrow e seu insistente ar sonso. Um imenso mais do mesmo.