Posts com Tag ‘Vincent Gallo’

Vamos para a segunda parte do post sobre filmes que vem por ai!

Zama (de Lucrecia Martel) [Los Andes] [IndieWire] [Hollywood Reporter]

Francofonia: Le Louvre Under German Occupation  (de Aleksandr Sokurov) filmado no Louvre [Screen Daily] [24 FPS Verite] [C7nema]

Gone Girl (de David Fincher) – adaptação do livro Garota Exemplar [IndieWire] [Vulture] [Youtube]

Cemetery of Kings (de Apichatpong Weerasethakul) [Hollywood Reporter] [IndieWire] [IonCinema]

Jersey Boys  (de Clint Eastwood) [Variety] [Omelete]

April (de Vincent Gallo) [IndieWire] [Film Buff]

Trouble Every Day (2001 – FRA/ALE/JAP)

Pessoas sofrendo de um instinto sexual tão forte que ultrapassam os limites da razão, chegam ao canibalismo, é a libido elevada às necessidades dos vampiros por sangue. O desejo como forma involuntária de satisfação máxima, o corpo fora do controle de si mesmo. Claire Denis impõe seu estilo, aqui então nada fica tão claro, a narrativa fragmentada, a abordagem às margens do tema, as feições quase indecifráveis de Shane (Vicent Gallo), o recém-casado que viaja com sua esposa June (Tricia Vessey) a Paris em busca de um cientista. Podemos sentir os movimentos musculares dos corpos, a movimentação dos pelos, chegamos ao detalhe do detalhe, nada passa inerte aos olhos da camera, muito menos a explosão insaciável do desejo representada fortemente por Core (Béarice Dalle). Não há sensualidade, o desejo é tratado de forma primitiva, necessidade básica. E Denis faz de tudo para ora esconder essa intensidade e ora demonstrar de maneira voraz, em mais um de seus exímios trabalhos a cineasta encontra todos os subterfúgios para transformar o tema em personagem principal, as sensações acima dos personagens.

The Brown Bunny (2003 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Um piloto de motovelocidade vaga em busca de consolo, ao encontro de respostas que nada sabemos. Ele apenas dirige seu carro, observa, a câmera o acompanha com grande proximidade. Não percebemos nada além de seu desconsolo, sua desolação, e Gallo é muito eficiente em assumir os riscos de se tornar monótono, mas ele alcança o prometido: causar questionamento e interesse. O filme transcorre, e já nos perguntamos se seria esse, mais um daqueles exercícios de um cineasta autoral arrogante. Só que, o cineasta nos pega no contrapé com a famosa cena no quarto de hotel. Não se trata apenas de uma cena real de sexo-oral (onde grande parte da critica e do público sentiu-se horrorizada, pela atriz, ou principalmente pela razão daquela cena estar ali). O fato é com ou sem cena de sexo explícito, o que temos é um grande e arrebatador desfecho, oferecendo ao filme um significado bonito, triste e desolador, tal qual o próprio protagonista tentava o tempo todo esquecer.

arizonadreamArizona Dream (1993 – EUA/FRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Não poderia ter sido mais equivocada a investida do diretor bósnio Emir Kusturica em solo americano. Com roteiro seu, em parceria com David Atkins, o filme afundou mesmo com um elenco de atores renomados. Diria ser uma comédia equivocada. Sem risos, uma trama exageradamente surreal e um conjunto de personagens histéricos, guiados por seus sonhos delirantes. Kusturica abusa do andar em círculos e do desapego à realidade. Não consegue equilibrar suas ideias num raciocínio possível, parece mergulhar no próprio sonho que seu roteiro inventou, apoiando-se nas excentricidades de seus personagens para buscar maior dinamismo.

Uma idealização do sonho americano de uma geração que desejou negar o “american way of life”, o conforto financeiro dos mais velhos e a frustração da juventude. Kusturica vende a ideia de que o destino de todos é ser cópia de seus pais, como se as origens fossem uma raiz que não lhes deixa alternativa. O tio (Vincent Gallo) que tenta convencer o sobrinho (Johnny Depp) voltar a morar no Arizona para viver da venda de Cadillacs (negócio da família). Um peixe com os dois olhos do mesmo lado, o Alasca e a vida dos esquimós, o desejo de voar, e um triângulo amoroso amalucado (com Faye Dunaway e Lili Taylor), o filme cai em obviedades que não condizem com seus elementos tão surreais.