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Rodin

Publicado: setembro 25, 2017 em Cinema
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Rodin (2017 – FRA) 

Ainda querendo entender porque o filme tem sido tão criticado, desde sua exibicação na competição em Cannes. Talvez eu tenha uma relação com Rodin diferenciada, por ter lido sua biografia (Eu Vim Nu) quando ainda era adolescente, mas não consigo mesmo encontrar tantos problemas assim no filme de Jacques Doillon.

É uma cinebiografia dentro do ateliê, são poucas as vezes em que a câmera sai desse ambiente, sua vida transpassa por entre suas obras. Por meio de elipses, o filme conta as obsessões do artista, seus amores e extravagâncias sexuais, o estilo obsessivo de seu trabalho, as decepções do reconhecimento. Doillon é cuidadoso em tentar clocar Rodin na tela, e não endeusar ou poetizar demais suas esculturas.

É fato que o ritmo acadêmico, e que os enquadramentos distanciados, pouco oferecem de inovador, ainda mais quando pensamos que é o retrato de alguém que tanto inovou em sua arte. A interpretação de Vincent Lindon e a fotografia cuidadosa, com pouquíssima luz, não atenderem as expectativas dos que esperavam um retrato mais visceral e profundo do artista.

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La Loi du Marché (2015 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Escolhido como melhor ator no Festival de Cannes de 2015, o ator Vincent Lindon é o cerne da trama, que tenta provocar o capitalismo, por meio da constatação da falência do perfeito mecanismo do sistema na manutenção do emprego. O desemprego desestabiliza o sistema econômico, desestrutura famílias, e causa rachaduras na integridade humana.

Lindon já vem trabalhando nos últimos filmes dirigidos por Stéphane Brizé, sempre com sua figura sóbria e presença dominante em cena. Aqui a câmera assume função voyeur, está sempre a espreita com distância, seja nas seções de entrevista por emprego, ou  as conversas com a gerente do banco, ou ainda quando ele assume seu emprego num supermercado.

Essa posição de observador oculto, aliada a nova função de segurança do protagonista, facilita a veia de visão crítica da sociedade. A imagem fixa e incomoda sob os que cometeram pequenos delitos, roubando do supermercado, são sempre momentos questionadores à sociedade. O filme trabalha forte em justificar os valores morais do personagem, é uma proposta justa com seu contexto, mas não deixa de ser um desperdício de cartucho em focar todo o peso do mundo sob os ombros de um homem, enquanto uma infinidade de possibilidades surgia bem diante daquela câmera. Brizé está tão obcecado por realizar o final que planejou, que não enxerga as inúmeras possibilidades que estava construindo.

bastardosLes Salauds / Bastards (2013 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Por entre tantas elipses, fatos pouco conexos, silêncios e segredos, a cineasta Claire Denis apresenta mais um daqueles filmes suntuosos, que trazem a sensação de uma névoa cobrindo seus olhos, não permitindo que se possa enxergar, claramente, as peças de um quebra-cabeças, que ela teima em, magistralmente, montar à frente de nossos olhos. Uma jovem (Lola Cretón) encontrada nua, e sangrando no meio da rua. O pai, diretor de uma fábrica de sapatos falida, cometendo suicídio. Família fragmentada é pouco.

O fio condutor é Marco (Vincent Lindon), cunhado da vítima. Entre varrer os cacos e entender, exatamente, o que está se passando, o capitão de navio mergulha de cabeça com o outro lado da história: a amante (Chaira Mastroianni) de um industrial (Michel Subor), que era amigo e supostamente estaria envolvido no suicídio.

bastados2Contar mais do que isso já é partir para julgamento próprio, desse estopim surge a história nebulosa, onde julgar quem é vítima realmente, passa a ser um dos maiores prazeres do público. Claire Denis pega pesado, em temas e cenas, mas principalmente nessa atmosfera que perturba o estômago de quem assiste. Mentiras, segredos sórdidos, a natureza humana e todo o poder corrompido por desejos escusos, relações absurdas, e um primitivismo grotesco. Seus filmes não são fáceis, mas são adoráveis e inquietantes. E no quesito inquietude, a cena do dirigir às cegas é daqueles momentos que você tem vontade de pular para dentro da tela.

Pater – 35ª Mostra SP

Publicado: outubro 22, 2011 em Mostra SP
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Pater (2011 – FRA)

Seguindo dessa linha “experimental” e caseira, Alain Cavalier nos oferece algo que não é um filme, não é um documentário, talvez seja o making-off de uma brincadeira de amigos munidos com suas cameras. Cavalier e Vincent Lindon brincam de bater-papo frente às cameras enquanto discorrem sobre gravitas ou coleção de sapatos, visitam um padeiro que vive com a mãe e tira um cochilo sob a bancada onde faz os pães. E de quebra, ainda brincam de falar sobre um mundo politico (não exatamente política), brincam de interpreter o presidente e o primeiro ministro da França, e encontros caseiros (ou piqueniques) falando sobre a sucessão presidencial, uma parceria que vira disputa política. Um conjunto de cenas jogados ao esmo que parecem funcionar muito mais aos que filmaram e mais tarde se trancaram para um fim de semana no campo onde só pretendem se divertim com o que filmaram.