Posts com Tag ‘Viola Davis’

Um Limite Entre Nós

Publicado: março 4, 2017 em Cinema
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umlimiteentrenosFences (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Como diretor é apenas o terceiro trabalho de Denzel Washington, mas o ator não requer apresentações. Adaptando uma peça de teatro escrita por August Wilson, seu filme praticamente não sai da cozinha, sala e quintal da casa de Troy Maxson (o próprio Denzel), onde ele pretende construir uma cerca, mas gosta mesmo de ficar contando histórias e dar suas lições de moral.

Um frustrado aspirante a jogador de Baseball, Troy é a construção de uma figura masculina retrógrada e conservadora, que vê em si o único líder da família, mas entrega à esposa todo seu salário. Prega que ser pai é pagar as contas, não necessariamente dar e ter amor, e está sempre esperneando seus discursos de teoria da conspiração.

O filme é um drama familiar típico, com confronto de gerações, infidelidade, educação dos filhos, sempre com diálogos vibrantes, quase histéricos, que variam entre o descontrole e o humor. São diálogos que estamos bem acostumados a ver em interpretações de Denzel, o contraponto são as participações de Viola Davis, no papel de esposa, que elevam o grau de discussão, e fogem dessa persona tão marcada que Denzel dificilmente se livra em suas interpretações. Essa mãe e dona de casa, caridosa e angustiada, que sabe perdoar como ninguém, e coloca a figura masculina no seu devido lugar.

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Hacker

Publicado: julho 29, 2015 em Cinema
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hackerBlackhat (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O insucesso de seu lançamento nos EUA jogou o filme diretor para home vídeo no Brasil, mesmo tendo Chris Hemsworth encabeçando o elenco. Soa muito como uma variação de Miami Vice, desde o romance do protagonista com uma oriental (aqui Tang Wei), e mais principalmente nas obsessões mais latentes de Michael Mann. Troca-se a quadrilha de tráfico de drogas por hackers, as metralhadoras dividem espaço com vírus e notebooks.

Mann não é adepto de roteiros elaborados, seus thrillers são carregados de emoção pela atmosfera, ou pela própria angustia dos personagens. Aqui, não é diferente, a estrutura simplificada (hacker caçando as pistas de onde está outro hacker) está disfarçada pela caçada global, os policiais e as discussões sobre jurisdicação mundial. Se o roteiro é essa formalidade no cinema de Mann, e sua forma de filmar é o vislumbre de seus adeptos, Hacker me parece menos inspirado. A proximidade com Miami Vice, as peripécias exageradas de um hacker (esse nerd brutamontes metralhando inimigos), nem são a problemática.

A tentativa de mergulhar no mundo dos bytes, sinais luminosos invadindo os mainframes, ainda não se acertou nos filmes de crimes cibernéticos. Mann fica no meio-fio, nem tão técnico (nos assuntos da informática), e nem tão explícito na solidão que afronta seus personagens. Ainda filma cenas de tiroteiros, como poucos, mas Blackhat parece um filme mais bruto na ação, claro no romance, mais próximo de um trabalho típico do gênero.

doisladosdoamorThe Disappearance of Eleanor Rigby: Them (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A ideia, e realização inicial, partem da música dos Beatles (Eleanor Rigby), e do anseio de tratar diferentes pontos de vista de uma mesma história. O diretor lançou a versão “Him” e “Her”, que juntas passam das 3h de duração. Mas lá vieram os Weinstein fazendo Ned Benson remontar, unir as duas versões num único filme “Them”, de apenas 2h, aglutinando as duas versões. Dessa forma, surge um filme convencional, sobre uma crise conjugal, após uma tragédia, que abala marido (James McAvoy) e esposa (Jessica Chastain) em distinta intensidade.

Fica a curiosidade do quanto Benson pôde explorar, de cada um deles, nos filme isolados – e parece impossível não ter essa sensação. Triste, emotivo, simples (como a vida é), Benson trata das feridas do casal, enquanto explora a relação individual deles com a sociedade (ela com a família, ele com o trabalho e com o pai) e o próprio desgaste que causa o afastamento, o desconsolo, as atitudes desequilibradas. O diretor prega a máxima de que o caminho da reconstrução parte do alicerce, do tripé família x amor x trabalho. O tripé desbalanceado causa desestrutura, a busca por recomeços, necessidade de novas perspectivas. Na versão que chega ao cinema temos, exclusivamente, um filme sobre depressão, e a reconstrução a partir dela, com todo o peso do amor envolvido (que pode afastar ou reaproximar).

 

osuspeitosPrisioners (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Denis Villeneuve tem uma carreira extensa como diretor, mas seu nome se destacou mesmo com Politécnica (sobre um atirador numa escola canadense, antes de Columbine). Seu filme seguinte (Incêndios) ganhou adeptos do público que se envolve com a “história” e raiva nos que se incomodam com as coincidências do destino. O sucesso foi o bastante para que ele conseguisse angariar um elenco de peso (Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Maria Bello, Viola Davis, Melissa Leo, Paul Dano e Terrence Howard).

Trata-se de mais uma história sobre “quem é o bandido?”. Alguns suspeitos, pais desesperados pelo desaparecimento das filhas, e um policia apanhando para conseguir desvendar o mistério. Porém, diferente de outros filmes do gênero que se destacaram, Villeneuve apenas conta uma história, do seu jeito pop com quê de autor (que de autor, passa longe). São planos banais, atuações e diálogos também básicos, e a manipulação de fatos e personagens ao bel-prazer do roteiro. Espanta que tantas pessoas ainda se surpreendam com tais artifícios.

Extremely Cloud & Incredible Close (2011 – EUA)

Por que alguns filmes são extremamente melodramáticos e voce detesta, e outros voce gosta? Qual é o segredo, dentro desse universo sentimentalóide, que diverge ao ponto de causar satisfação ou ódio eterno. Afinal, a trilha sonora está lá para intensificar o drama, as emoções são lançadas à-flor-da-pele, a sensação de que o mundo parou para assistir aquele momento inigualável, e voce simplesmente acha aquilo um porre, ou vê lágrimas surgirem em seu rosto. Quem terá explicação para este dilema? Eu, essencialmente, detesto melodrama, posso sentir o açucar escorrer pelos cantos da tela. E por que, mesmo sentindo os momentos melodramáticos, me vi, literalmente, dentro do drama desse garoto e me emocionando com tudo aquilo? Não sei, mas o cineasta Stephen Daldry tem alguma coisa que me mantém conectado.

 Seu quarto filme, todos emplacando indicações ao Oscar. E, ele é um contador de histórias, seus filmes não possuem nada de “autoral”, são adaptações eficientes de livros, sempre causando comoção, sempre expondo o intrínseco de seus personagens. Aqui temos um garoto (o excelente Thomas Horn) lidando com a morte do pai (Tom Hanks) no World Trade Center. Daldry, busca total aprofundamento das características do garoto, sua inquietação, a criatividade, persistencia e dificil relação social. Obcecado pelo pai, sai numa busca desenfreada pela fechadura de uma chave (que ele encontrou nas coisas dele, num armário). Essa busca de uma agulha num palheiro, invade casas de desconhecidos para trazer um pouco da relação da cidade com as “vítimas” do atentado de 11 de Setembro.

Max Von Sydow, aparece na segunda metade, e ajuda esse garoto na busca incessante, seu velhinho misterioso (que perdeu a fala) traz nova luz ao filme, e na grande cena o garoto “alucinadamente” descreve sua saga até aquele ponto, é de tirar o folego. É claro, que todos os elementos, convergem para os momentos de melodrama elevados à enésima potência, basta voce ter comprado o drama daquele garoto, ou achar aquilo tudo um porre. O segredo de Daldry talvez seja esse, aos que ele consegue aproximar dos seus personagens, fará emocionar em um momento ou outro. Afinal, o problema desse garoto não é o Terrorismo, mas, simplesmente, a perda do pai.

The Help (2011 – EUA)

Segregação racial nos anos 60 na região do Mississipi, enquanto as donas de casa fúteis jogam bridge, as negras limpam suas casas e cuidam dos seus filhos. Em troca, as mulheres da alta sociedade se preocupam com medidas como construir banheiros que separem negros e brancos nas casas. O filme de Tate Taylor é todo convencional, como quem tratar de tema sério, só que de maneira leve. Por isso está lá o tom de humor leve e as complicações de uma comédia romantica, a trilha sonora incindental carregada para pesar no melodrama, e amizades “extraordinárias” que só funcionam na ideia.

No filme, a jovem Skeeter (Emma Stone) vive a sociedade branca, mas é contra a política de segregação, aspirante a escritora, decide escrever um livro sobre essas mulheres que deixam os filhos em casa para cuidar dos filhos dos outros, e são maltratadas, humilhadas e exploradas. Aibileen (Viola Davis) aceita narrar às escondidas, e os personagens clichê vem à tona, em alguns momentos irritando, em outros divertindo, nos melhores momentos até enojando pela força do racismo. Jessica Chastain rouba a cena pela falta de etiqueta social, e completamente distante desse mundo preconceito e elitista.