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joyJoy (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E lá vem David O. Russel novamente. E com ele, as famílias disfuncionais e as discussões extravagantes, e o mar de problemas e intolerâncias que só a total dependência familiar mantém todos unidos, no mesmo teto. E também a trilha sonora pop e empolgante, e os planos-sequencias de personagens caminhando com estilo, aquela combinação que atrai empatia imediata do público. E tantos outros cacoetes de um cinema sub-Scorsese. O diretor continua contando variações da mesma história, com seu grupinho de atores que só diferenciam cortes de cabelo e figurinos estilosos.

Ultimamente, todos os filmes com assinatura de Russel já surgem como grande favoritismo ao Oscar, aos filmes mais esperados do ano. E dessa vez, a reação geral foi de fracasso, emplacando apenas indicação para Jennifer Lawrence. E é quem carrega todo o peso do mundo sob as costas, o cerne da tragédia pouca é bobagem. Afinal, são tantos dramas familiares, entre crises financeiras e brigas recorrentes, que o leitor precisaria de um lenço para ler toda a sinopse.

Joy é joguete perfeito para vender a América das oportunidades, e Russel vende perfeitamente este estereótipo. Primeiro a joga na lama, para despois, a partir de sua própria capacidade e simplicidade, colocaria novamente no ringue, pronta para briga rumo ao sucesso. É uma artimanha bem barata para conquistar o público, e em algum momento você também será conquistado por essa “ coitada lutadora”. Trilha incidental emocionante, frases de efeito como “eles são o melhor casal divorciado da América”, está cada vez mais difícil de engolir seus fimes.

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Sideways (2004 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Um road movie na região vinícola da Califórnia, discursos sobre Pinots e Cabernets, uvas com cascas finas e etc. O cineasta Alexander Payne solidifica seu nome em Hollywood com essa comédia dramática, ele mudou o foco da idade do público, e ainda continua retratando bem as dificuldades da vida. A velhice de seu filme anterior dá lugar à maturidade da vida adulta, e com a mudança, novas crises problemáticas. Os protagonistas sofrem com divórcios, pretendem casar-se novamente, passam por crises profissionais, vivem a solidão e uma frustração recorrente da incapacidade de realizar tudo que sonharam quando mais jovens.

Todas essas características resumem bem Miles (Paul Giamatti), o professor de ginásio, e escritor frustrado, é um poço de amargura e ressentimento, que encontrou nos vinhos uma ótima camuflagem para sua solidão, e seus problemas que se agravaram após o divórcio. Muito mais fácil do que encarar de frente foi fechar-se entre vinícolas e restaurantes, e esperar que sua ex-esposa desejasse voltar.

Jack (Thomas Haden Church) é um ator de TV decadente, uma semana antes de seu casamento, parte com seu amigo Miles, para uma pequena viagem, onde pretendem beber bons vinhos, jogar muito golfe e espairecer. Pelo menos essa era a idéia de Miles, porque os planos de Jack eram de transformar a viagem numa despedida de solteiro, onde sua principal meta era bem clara: transar.

Payne é competente em diversos aspectos, a divisão da tela em vários quadros dá dinamismo a viagem, a trilha sonora segue embalando o filme, o lado cômico é formado por situações pitorescas, mas nada disso funcionaria, se Miles não fosse esse cara tão singular, que pudesse concentrar tantas aguras da vida moderna. Aventura, comédia, drama e romance, em doses a qual Payne diverte seu público com inteligência.