Rio Eu Te Amo

rioeuteamoRio, Eu Te amo / Rio, I Love You (2014 – BRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A versão para a Cidade Maravilhosa, da série Cities of Love, é um desserviço ao Rio de Janeiro e ao cinema nacional. Nenhum dos 10 curtas consegue, nem de forma ligeira, condensar qualquer traço do charme, beleza e encanto da cidade. Se o modelo de filme-coletivo sofre pela irregularidade, dessa vez, este se torna o menor dos problemas.

Primeiro que a cidade é colocada em segundo plano. Alguns dos curtas nem conseguem se identificar com a cidade, os demais praticamente tornam os cartões-postais em clichês hediondos. As visões são as mais simplistas possíveis, os roteiros almejam o natural, quando apenas encontram uma artificialidade de finais que desejavam representar grandes sacadas. Começa com Andrucha Waddington e a história do neto que encontra sua avó (Fernanda Montenegro) vivendo como mendiga, por opção.

Paolo Sorrentino vai ao limite dos clichês com a jovem ricaça (Emily Mortimer) e seu marido idoso, doente e podre de rico, que passam férias na cidade. Fernando Meirelles e Cesar Charlone não conseguem imprimir ritmo à história do escultor (Vincent Cassel) de areia que se apaixona por uma jovem, o curta não passa de uma ideia de trama.

Constrangedora é a história dirigida por Stephan Elliot, um astro do cinema (Ryan Kwanten) decide escalar o Pão de Açúcar, do nada, com a roupa do corpo, e carrega seu guia (Marcelo Serrado) nessa aventura pelo amor inesperado. Totalmente insosso, e que nada mostra além de dois takes do mar, é o curta dirigido por John Turturro, sobre um casal (ele e Vanessa Paradis) em tom de despedida. Guillermo Arriaga retoma parte do clima de Amores Brutos, troca a briga de cães por lutas clandestinas e desce fundo no poço das propostas indecentes (que só devem existir na cabeça de cineastas mesmo).

O morro do Vidigal é tomado por vampiros na visão de Im Sang-soo, com direito a samba, garçom estiloso e prostituta mulata. Carlos Saldanha até consegue um aspecto visual interessante na apresentação do casal de bailarinos (Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer), mas o drama do casal e suas discussões durante a apresentação são de um melodrama que pouco acrescenta ao clima de amor à cidade. Wagner Moura é o instrutor de asa-delta frustrado que xinga o Cristo Redentor durante um voo, sabe-se lá as intenções de José Padilha, além de trazer seus temas críticos da cidade à tona.

Mesmo carregado de clichês, a simpatia da história criada por Nadine Labaki é a que mais se aproxima do que se esperava deste projeto. Um garoto de rua, gringos (ela e Harvey Keitel) encantados por seu jeito cativante, se passam por Jesus para realizar suas fantasias. E a cereja estragada do bolo são as transições, que ganharam vida própria, personagens próprios, e direção de Vicente Amorim. Primam pela artificialidade, e mais embaralham do que funcionam como conexão para os curtas. Além de intensificarem o padrão visual do filme que trafega entre um Globo Filmes e uma campanha publicitária de tv (aliás, marcas de patrocinadores quase se tornaram protagonistas das transições).

Praia do Futuro

praiadofuturoPraia do Futuro (2014) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Não é um filme sobre um salva-vidas (Wagner Moura) que larga tudo por uma paixão em Berlim. Nem a de um motoqueiro estrangeiro, cujo amigo (Clemens Schick) morre afogado na Praia do Futuro. E nem a de um garoto (Jesuíta Barbosa) que tinha o irmão como herói exemplar e o vê, simplesmente, desaparecer sem dar vestígios. Não é nada disso, o filme de Karim Aïnouz é sobre emoção e ser livre. A emoção está presente na emocionante sequencia de afogamento, no início do filme, na relação dos irmãos quando o mais novo o chama de Aquaman, e na explosiva paixão nascida para curar a dor da perda de alguém próximo. O ser livre está presente nas motos, nas baladas de rock com cabeças agitadas, nos belos planos abertos que mostram a praia cearense ou uma Berlim profundamente triste.

Com duas ou três cenas, que funcionam muito bem, Karim posiciona seus personagens. Dali em diante é um filme de silêncios, de olhares, de emoção (pela dor da perda, pela raiva do reencontro, ou pela paixão ardente). Os planos fechados na intimidade dos personagens, a praia ou os telhados alemães como libertação espiritual, Karim deixa de lado o final de seus filmes em estrada, para partir por ela, e buscar o outro lado. A parte alemã, de tão carregada, parece presa e propensa a mais esconder do que revelar (como faz com a cidade de Berlim que ao tentar ser oposta a Praia do Futuro se torna mais que fria, feia). Um cinema que amadurece, com um peso mais difícil de carregar do que a leveza de um Céu de Suely ou Viajo Porque Preciso e Volto Porque Te Amo. Seu cinema mostra uma continuidade, por mais que os primeiros trabalhos fossem mais reveladores (não tão emotivos quanto esse), Karim segue construindo personagens que são pequenos heróis, de suas próprias vidas.

Links da Semana

filmedoano_alfred• Tabu na  cabeça, como era de se esperar. Essa semana finalmente foi divulgado o Alfred 2013. Os melhores filmes de acordo com a Liga dos Blogues Cinematográficos. É imperdível acompanhar o grande momento do ano, do que podemos chamar de o Oscar da Internet Brasileira, vejam os demais vencedores [Liga dos Blogues Cinematográficos]

• Nova biografia sobre Steve Jobs em pauta, frisson no twitter quando foi anunciando que David Fincher seria o possível diretor do filme [Variety]

• O bafafá da semana foi essa história das empresas de Blu-Ray do país se negarem a produzir os Blu-Ray’s de Azul É a Cor Mais Quente, devido a seu conteúdo sexual forte. Quando pensamos que estamos evoluídos… [Omelete]

• Narco, série que será produzida pelo Netflix terá direção de José Padilha e Wagner Moura como Pablo Escobar [Rolling Stone]

• Cambodia, uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e as mudanças que podem ser geradas em um país [LA Times]

• César 2014 os premiados [Deadline]

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A Busca

abuscaA Busca (2012)  estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O drama inicial é genuíno, um pai (Wagner Moura) que perdeu sua família por se dedicar excessivamente ao trabalho. A separação da esposa (Mariana Lima), os conflitos com o filho adolescente (Brás Antunes), o que dirá da relação com os demais familiares. Desse problema tão presente na sociedade contemporânea, o cineasta Luciano Moura (também assina o roteiro) cria um road-movie de um pai desesperado pelo desaparecimento do filho.

Wagner Moura se descabelando pelos rincões do Brasil, o conto moral sobre o prejuízo pessoal, por não dosar bem a balança do trabalho x família, é piegas, mas válido. O problema está no desenvolvimento dessa trama, pelo rastro do filho ele vai conhecendo pessoas, que começam nada agregando ao protagonista, e terminam em momentos esdrúxulos, onde a pieguice realmente fala alto. Nem a viagem de autodescobrimento que parecia vender, nem um drama carregado de descobertas, apenas uma busca desenfreada, cheia de incredulidade a quem acompanha.

Elysium

elysiumElysium (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Neill Blomkamp chegou a Hollywood com seu sucesso em Distrito 9, e o que ele apresenta em sua estreia nos EUA é uma versão amplificada daquelas favelas sul-africanas e do próprio universo de guerra por sobrevivência do trabalho anterior.

Mais dinheiro, astros maiores, e um roteiro com ego mais inflado e faraônico. Matt Damon encarna o herói “imorrível”, aquele que apanha o filme todo, mas está sempre preparado para mais uma luta, outra corrida. Enquanto Damon tenta salvar o mundo, reencontra sua paixão da infância (Alice Braga) e tem ajuda de um nerd lider da rebelião (Wagner Moura dublando sua voz, e é outro em atuação patética).

Eles vivem no planeta Terra, mas queriam mesmo estar em Elysium, onde moram os ricos (como a caricata Jodie Foster). Um mundo perfeito onde todos guardam, na sala de casa, uma máquina capaz de curar todas as doenças do mundo. Claro que os pobre vivem em condições subumanas na Terra e querer ir para lá. O plot interessante, mas Blomkamp e sua turma estragam tudo com excesso de velocidade nas cenas de ação, com atuações absurdamente patéticas, e um heroísmo clichê em níveis radioativos de irritatividade. A decepção vem de todos os lados, da repetição visual de Distrito 9, ao roteiro estapafúrdio.

Links da Semana

forestwhitaker• Forest Whitaker: tema quente da semana foi o filme de Lee Daniels (eca, só faz filme ruim) sobre um mordomo da Casa Branca, aqui entrevista com o protagonista de The Butler [Slant Magazine]

• Wagner Moura: anuncio sua estreia na direção com a biografia de Carlos Marighella [AdoroCinema]

• The Granmaster: filme de Wong Kar-Wai vai virar webcomic (HQ para a internet) [Uol Cinema]

• O Lobo Atrás da Porta: filme brasileiro no Festival de Toronto, Faroeste Caboclo também estará por lá [Uol Cinema]

• Ed Wood: o pior diretor da história ganha mostra em São Paulo, com direito a exibição de alguns de seus filmes (que medo) [AdoroCinema]

• Festival de Veneza: disponibilizará 15 filmes para serem assistidos, via streaming, durante os dias do festival [Uol Cinema]

• David Wnendt: entrevista com o diretor alemão que causou polêmica essa semana com seu filme que foi exibido em Locarno [Cineuropa]

Links da Semana

pixar-logo• The Pixar Theory: alguém lançado uma tese de que todos os personagens dos filmes da Pixar estão conectados e fazem parte de uma grande história [Jon Negroni]

• Cinemateca Brasileira: estou com o Inácio Araujo, será que vamos ter que ir as ruas para acabar com a paralisia absurda da Cinemateca? [Blog do Inácio Araujo]

• James Bond: após o sucesso de Skyfall, era de se esperar que fosse confirmado Sam Mendes como diretor do Bond 24, o próximo filme do 007 [AdoroCinema]

• Oldboy: finalmente sai do trailer da refilmagem da obra-prima coreana [Youtube]

• Selton Mello e Wagner Moura: no elenco do próximo filme de Stephen Daldry [AdoroCinema]

• Sam Rockwell: em entrevista sobre seu novo filme [Slant Magazine]

• Johnny Deep: e todas as suas interpretações excêntricas [AdoroCinema]

• Os Imperdoáveis: trailer do remake japonês com Ken Watanabe [Collider]