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4:44 Last Day on Earth (2011 – EUA)

O mundo tem dia e hora para acabar. Abel Ferrara acompanha as derradeiras horas do planeta mirando sua câmera para um casal. Acordar sabendo que aquele é o último dia, acreditar no que dizem, passar o dia todo transando ou tentar encontrar um esconderijo que talvez possa protegê-lo do pior?

Não sabemos as razões que fizeram os estudiosos determinarem que o mundo terminará as 4:44, na verdade pouco importam. Ferrara está interessado no estudo familiar daquele casal. Aos poucos, sabemos que ele é divorciado, que tem uma filha, o Skype o ajuda a manter contato, mas o peso da melancolia é o que salta de cada cena, de cada fala. Afinal, tudo está prestes a acabar, controlar o choro ou se desesperar são algumas das reações possíveis.

Ferrara se fixa nessa questão, o mundo vai acabar, eles vão sofrer e depois perdoar o que puder ser perdoado e se unir no momento derradeiro, porque, na hora do desespero, é quando nos colocamos ainda mais próximos dos que nos são mais queridos, e num dia como esse, esperar que a racionalidade permaneça intacta, seria, no mínimo, pedir demais.

Anticristo

Publicado: abril 17, 2010 em Cinema
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Antichrist (2009 – DIN) 

Realmente estarrecedor pela agressividade moral e física de suas imagens. O filme abre-se com um lento prólogo, em slow-motion, dividindo-se entre o casal fazendo amor (numa cena sem emoção, focada apenas na plasticidade dos corpos), e o filho pequeno sofrendo um acidente ao sair do berço. Chamar o início de petulante é pouco, perto do mergulho fantasmagórico que o casal (únicos personagens de todas as cenas) será exposto quando o marido (Willem Dafoe) terapeuta decide que a esposa (Charlotte Gainsbourg) deve parar com os medicamentos e ser curada numa casa na floresta sob seus cuidados.

O perigoso jogo de provocar medos, de lidar com depressão e ansiedade, de envolver a própria relação no tratamento de dor, tão profunda, demonstra-se desastrosa, evocando sexo e violência em cenas em que o amor e afeto dão lugar à mutilação, ao desespero, a perda dos controles. Lars Von Trier demonstra arrogância perversa sob seus personagens, cria climas claustrofóbicos. Tem-se medo até da grama. Dar ritmo tão dilacerante, num filme com apenas dois personagens, não é tarefa simples. Por outro lado, se preocupa de maneira tão excessiva com o impacto, e com provocar o estômago do próprio público, que funciona apenas como um teste de dor no espectador, enquanto os atores esbanjam entrega em cenas sangrentas e nada fotogênicas.

platoonPlatoon (1986 – EUA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Esse foi um daqueles filmes que soavam como “clássicos” na minha memória de adolescente, mas que a história parece não ter lhe dado este status atualmente. Já pouco se fala de Platoon, mesmo tendo ganho Oscar de Melhor Filme e o Leão de Prata em Berlim. Oliver Stone também já dá sinais de estar na parte descente da curva de sua carreira. O mito foi quebrado ao finalmente  assistir, e temo que uma revisão em alguns anos possa ser ainda mais prejudicial.

Oliver Stone foi combatente na Guerra do Vietnã, ele retorna às suas memórias dos horrores da guerra. O filme é narrado segundo a visão de um jovem (Charlie Sheen) que se alistou, voluntariamente, no exercito norte-americano. Idealista, acreditava piamente no dever cívico de lutar por seu país. Seus olhos são as testemunhas de mutilações, massacres, estupros, e demais violências. Tom Berenger, em atuação impecável, encarna o sargento ambicioso, psicopata e sangue-frio que causa temor entre os recrutas. Seu contraponto é outro sargento, mais humanista e sensível, interpretado por Willem Dafoe. Este confronto perfaz um dos melhores momentos do filme. Eles comandam um batalhão que passa por vilarejos, e encara a guerra no corpo-a-corpo. Enquanto a violência assusta, o filme sai também em busca de questionamentos: da convocação apenas dos pobres para combaterem, o heroísmo americano e essa guerra de fome contra um povo já tão sofrido.