Posts com Tag ‘William Friedkin’

killerjoeKiller Joe (2011 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

William Friedkin emprega um tempo a suas cenas que o desconforto e a tensão se tornam amigas inseparáveis, aliadas certeiras, causando estardalhaço no público. Uma familia destrambelhada, o filho (Emile Hirsch) convence o pai (Thomas Haden Church) a contratarem um assassino profissional (Matthew McConaughey, em grande atuação) para matar a mãe (e ex-esposa) e ficarem com o dinheiro do seguro. O matador quer o dinheiro, e também, uma noite de amor com a irmã dele (Juno Temple).

O clichê de confusão com seguro, arrependimento e outros planos maquiavélicos fica camuflado nessa direção inspirada de Friedkin, e em como McConaughey se coloca como impiedoso e focado em seus objetivos. A familia de marginais, o florescer de uma jovem virgem, Friedkin filme em detalhes, os diálogos se dividem entre inspirar e expirar, com maestria e bom gosto.

Anúncios

To Live or Die in L. A. (1985 – EUA)

Um filme com a cara de William Friedkin, talvez tenha tanto a cara do diretor que peque pelos mesmos excessos que o marcaram fora de seus filmes. O grande alarde da história está em sua faceta de justiceira, de estar acima da lei e julgar o que deve ou não ser feito. Dentro de uma proposta clichê de um policial querendo vingar a morte do parceiro, Friedkin leva a vingança às últimas consequências, coloca vitalidade em algumas cenas (principalmente a fulminante perseguição de carros), mas guarda um ar anos oitenta de momentos toscos. Se os anos oitenta são considerados os anos perdidos, um filme que represente tão bem tal época, corre grande risco sofrer com sua própria essência. A linha tênue que aproxima herói e vilão está lá, o conflito, as relações marginais, e a sensação de que o brilho perde espaço para a fúria (dos olhos da câmera).

operacaofrancaThe French Connection (1971 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Buddy Russo (Roy Scheider) é a personificação do parceiro fiel, sabe que seu companheiro é quem brilha, e não se importa com uma posição “coadjuvante” na dupla. Enquanto Popeye (Gene Hackman) se faz presente nos ambientes, fala grosso, violento e ofensivo, faz questão de ser notado (praticamente um xerife). Seguindo o faro policial, os dois caem numa investigação envolvendo uma quadrilha de traficantes e um grande carregamento, oriundo da França, capitaneado por um distinto cavalheiro (Fernando Rey).

A tantas, após muitas cenas de vigilância, de investigação, há a cena de perseguição entre um carro e um bandido dentro de um vagão de metro, que é, literalmente, de tirar o fôlego por seu realismo impressionante. Toda a sequencia é de uma intensidade incomparável, primazia de William Friedkin numa direção notável, e da alucinante atuação de Gene Hackman que nos faz delirar frente ao volante daquele carro desgovernado. Sua obsessão pela captura praticamente o cega para carros pela rua, mulheres com carrinho de bebe atravessando à sua frente e a ansiedade de chegar tão logo à próxima estação.

Ainda que a sequencia seja antológica, Friedkin conduz a trama pelos clichês do gênero sem que nos demos conta deles, tamanha sensação de controle da história, de veracidade, de filmagem ao vivo de fatos reais por meio de tomadas engenhosas e uma paciente da condução da história que troca segredos pela imposição de sua veia policial nata.

Possuídos

Publicado: setembro 7, 2007 em Cinema
Tags:, ,
possuidosBug (2006 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Rústico é até o nome do motel. Aquele cheiro de tudo caindo aos pedaços, inclusive a vida daqueles personagens. Bebida, sexo, roupas e móveis gastos. Carros ultrapassados, relacionamentos desgastados. Naquela vida à beira de estrada o diretor William Friedkin causa tensão, a paranóia está em nossos olhos, a câmera por vezes focaliza o fim da cabeça dos atores e nos causa certa claustrofobia. Mesmo com o talento em criar toda a atmosfera, o filme é extremamente arrastado nos diálogos, sufocados por um desejo de serem maiores e melhores do que propriamente conseguem ser.

Há sempre aquele ar de que algo prestes a acontecer (muito mais pela sinopse do que pelo que se está assistindo), e quando, após a cena de sexo, o filme parte para sua verdadeira faceta, não parecia muito além de uma grande verbalização evasiva, por aquele casal trancafiado no quarto daquele motel barato, rústico, infestado. Toda a baboseira pode fazer muito sentido a que foi proposto, porém continua sendo baboseira.