Posts com Tag ‘William H. Macy’

herancadesangue

Blood Father (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Filme de encerramento do último Festival de Cannes, é mais uma fita de ação tentando resgatar a carreira de um astro do gênero, nos anos 80-90, cuja carreira beira o ostracismo. Mel Gibson segue a linha dos atores que voltam no tempo, ao invés de tentar construir algo olhando para frente. Na direção, o francês Jean-François Richet, que tenta emplacar seu nome no cinema americano, após o sucesso francês Inimigo Público número 1.

Aqui, a filha de Gibson (que vive num trailer, no deserto da Califórnia, fazendo tatuagens após sair da cadeia), é jurada de morte por uma gangue de traficantes. Em diante, jás pode imaginar os caminhos do roteiro, aliás adaptação do romance escrito por Peter Craig. Em resumo, é um filme que tenta resgatar o cinema de ação oitentista, sob todos seus aspectos, mas não consegue ir além do genérico.

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oquartodejackRoom (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O mais curioso é como o cineasta indie, Lenny Abrahamson (seu último trabalho foi o estranho e interessante Frank), conseguiu emplacar seu filme com tamanho destaque. Afinal, são 4 indicações ao Oscar, sendo que a vitória de melhor atriz (Brie Larson) é certa. O filme tem essa mistura de thriller, com toques de ternura, na relação mãe e filho, e a dosagem dessa tensão e doçura parecem ter agrado em cheio.

Mãe (Brie Larson) e filho (Jacob Tremblay) por anos trancados num cubículo, cativeiro onde são mantidos sequestrados, se bem que foi ali que o garoto nasceu, nunca saiu. Por isso, seu mundo é aquele, a tv se coloca como mera fantasia, no seu mundo só existe aquele pequeno quarto, sua mãe, e o homem que traz as coisas e dorme com sua mãe à noite. Já vimos escândalos recentes, desse tipo de sequestro, famílias vivendo escondidas do mundo por décadas. E é fácil sensibilizar-se pelo drama daquela mãe.

P que Abrahamson faz bem é explorar aquele quarto, enquanto pontua a rotina de mãe e filho. Do ambiente claustrofóbico aos momentos de ginástica, da alfabetização à agressibvidade do intruso agressivo que faz o garoto se trancar no armário. Na segunda metade, a trama parte ao melodrama, o peso do sequestro na cabeça dos envolvidos. E, se torna um filme comum, um drama que perde a potência e se esguera pela boa atuação de Brie Larson (que já se destacara em Short Term 12). O resultado final é irregular, e até imcompreensível de tanto destaque.

As Sessões

Publicado: março 4, 2013 em Cinema
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assessoesThe Sessions (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Que medo quando dei de cara com uma sinopse envolvendo: um padre (William H. Macy), um tetraplégico (John Hawkes), uma terapeuta sexual (Helen Hunt), e o desejo de perder a virgindade. Até que o diretor Ben Lewin me fez perder o medo, ao longo do filme, por mais que seu resultado final não seja nada além de melodramático e peque pela mediocridade.

Há nele uma discussão serena, o sexo tratado como necessidade e curiosidade humana, mas tão complicado e acaba falando e discutido com tantas pessoas que se torna um tema quase comum, como comprar um sapato. Hawkes consegue dá vida a esse escritor que só mexe o rosto, sem caricaturas, sem exageros piegas, sua luta em não comover é, de longe, o mais louvável. Pena que Lewin, vez ou outra, precise dar algo mais, e nesse algo mais, estraga.

boogienightsBoogie Nights (1997 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O submundo mais profundo do cinema é a indústria pornográfica, o patinho feio a se esconder. Em seu primeiro filme-mosaico (no melhor estilo Robert Altman), o diretor Paul Thomas Anderson faz um pequeno raio-X dessa indústria underground, e milionária, de Hollywood. Atores, diretores, produtores, técnicos, mansões, festas regadas a tudo que se possa imaginar, o foco se divide, a câmera tenta acompanhar a todos. São os anos 70, a era pré e pós VHS, a indústria se solidifica, cria seus astros, muitos tentam encontrar seu espaço. A trama dramática é cheia de ramificações e personagens, a narrativa explora suas facetas, enquanto Anderson investe em seus longos planos-sequencia que alternam o protagonismo dos personagens, além de oferecer dimensão eloquente da multidão que povoa os bastidores.

Se há um foco central é no tripé: estrela promissora (Mark Wahlberg), diretor (Burt Reynolds) e estrela consagrada (Julianne Moore). Deles surgem as ramificações, os caminhos que se cruzam para depois se afastarem, ou não. A maneira como Anderson amarra tantas variações é notável, vai do humor esculachado da paródia pornô de Bonnie & Clyde, ao drama da jovem atriz pornô (Heather Graham) que tenta cursar faculdade. Festas, drogas, prepotência do poder. E também, a solidão, o ostracismo, Anderson mergulha profundamente em tantos personagens, sempre no clima disco, no tom de comédia sacana, nas possibilidades que o gênero dos filmes escondidos nas locadoras pode oferecer. Nitidamente traz muito de si, ou do que aguçou sua curiosidade quando jovem, filma no bairro onde cresceu, por mais que exagere no terço final, seu filme é um retrato delicioso e cruel de como se faz dinheiro nessa indústria “proibida”.

The Client (1994 – EUA)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quando eu ainda era criança, os livros de John Grisham eram uma febre, suas histórias de casos policias ou julgamentos faziam enorme sucesso. Sob a direção de Joel Schumacher, este é apenas um dos inúmeros casos de seus best-sellers adaptados ao cinema. Pena que Schumacher sempre foi um diretor optando pelas escolhas óbvias, de filmes normalmente irregulares, e de roteiros caprichados que dificilmente resultam em bons filmes. O cliente não foge à regra.

A trama traz a história de um garoto (revelando Brad Renfro), carregando um grande segredo, e um enorme medo de revelá-lo à polícia, sob risco de sua família sofer retaliação. As expectativas naufragaram exatamente pelo roteiro fantasioso, que transforma o garoto de onze anos num super-homem, capaz de fugir da cadeia, mentir ao FBI, à sua mãe e para a advogada. Além, é claro, de fugir de perigosos bandidos.

De resto, apenas artimanhas de embolar o meio-campo com sequencias de suspense e fugas, além de muito jogo envolvendo advogados e promotores. Foi o filme que colocou Renfro como astro-mirim, e permitiu a Susan Sarandon e Tommy Lee Jones interpretações elogiadas. Porém, é um filme que promete bem mais do que consegue entregar, alcançando voos maiores apenas na sequencia da morte do advogado.

magnoliaMagnolia (1999 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Angustiante! Sensação de assistir minha primeira obra-prima do cinema moderno, um daqueles filmes que devo revisitar dezenas de vezes ao longo da vida (até porque, de tão complexo e multi-temas, o peso da idade deverá trazer novas experiências e percepções). Terceiro filme de Paul Thomas-Anderson, o segundo com esse formato de filme-moisaco, onde a narrativa tenta acompanhar, simultaneamente, tantos personagens, tantos acontecimentos, e criar algum tipo de vinculo entre eles.

A inspiração de P. T. Anderson veio das canções de Aime Mann, isso é tão subjetivo, abstrato, parece ter sido uma faísca de uma ideia que cresceu, e solidificou. O filme abre com um prólogo que, num primeiro momento, não parece ter relação nenhuma com aquelas histórias, O prólogo em resumo diz que coisas-estranhas-acontecem. Tem inicio a apresentação de personagens, e são muitos, e eles se entrecruzam e suas relações sociais criam a rede central dos arredores dessa rua chamada Magnolia, em Los Angeles.

Casamentos e traições, mágoas familiares, incesto, doenças terminais, homossexualismo, drogas, solidão, amor, os temas se sobrepõem. O desenvolvimento dessas pequenas histórias humanas se intensifica, os dramas tornam-se cada vez mais pesados, angustiantes, quanto mais os pormenores daquelas vidas se aproximam de nós, mais desesperadoras se tornam, o limite. P. T. Anderson espalha simbolismos que requerem meticulosa atenção aos detalhes, como os números 8 e 2 que aparecem perdidos durante o filme, uma menção à bíblia, e fatos inexplicáveis que colocam o filme em conexão com o prólogo do início.  Êxodo da Bíblia 8,2: “Se recusas, infestarei de rãs todo o teu território”.

E enquanto o cineasta criava essa legião de personagens e intricadas relações, há ainda espaço para ele seguir com seu estilo, desde a trilha sonora com presença inegável (o plano-sequencia no bar, ao som de Supertramp é coisa de louco), passando pelos planos-fechados nos rostos tensos, nos longos planos-sequencia em movimento que captam a urgência de personagens e o mundo à sua volta. Além disso, alguns atores em momentos de extravagância de seus talentos. Tom Cruise e seu energético instrutor de sexo, Julianne Moore em duas cenas (na farmácia e com o advogado) de alta dose dramática que podem deixar qualquer um em prantos. P. T. Anderson mostra diversas facetas da fragilidade e perturbação humana, de vidas repletas de amargura, de dramas que vão desde a ambição ao mau-caratismo. E quando o limite de todos é elevado a enésima potência, um toque bíblico para trazer a ordem, a esperança, ou pelo menos nos fazer respirar. Uma obra-prima!