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Captain America: Civil War (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O ano em que o cinema viu os primeiros filmes de super-heróis brigando entre si. Batman vs Superman, e agora Os Vingadores (cada lado sendo liderado por Capitão América e Homem de Ferro) e muita porrada entre eles. E por mais que ambos tenham o fato gerador da briga muito parecido (a morte de inocentes e a responsabilidade dos heróis por estas mortes), Marvel e DC realizam filmes completamente diferentes. E a Marvel ganhou fácil essa disputa.

É outro produto essencialmente conciso dentro do que o estúdio vem apresentando como Universo Expandido, um novo ponto unificando personagens que foram lançados em filmes solo (Homem Formiga) ou que serão em breve (o novo Homem Aranha, ou o Pantera Negra). Como se apresenta como “filme-solo” do herói com esculo, e não um filme dos “Vigadores”, o humor não tem o mesmo tom exagerado, por mais que algumas piadinhas esteja espalhadas entre as cenas de luta. É, essencialmente, um filme de muita porrada intermediado por discussões quase políticas sob aceitar, ou não, a supervisão da ONU. Faltam personagens (Thor e Hulk), e se a disputa filosófica entre Rodgers e Stark parece bem desenvolvida, a tomada de partido dos demais nem sempre se configura tão politizada, chegando a parecer aquela pelada onde os capitães saem escolhendo seus times.

A primeira sequencia de ação (que dá uma saudade danada da sequencia de assalto ao banco do Batman de Nolan), em Lagos, culmina em todo peso dramático do filme, ainda que o momento tão intenso seja rapidamente cortado para um encontro dos heróis num escritório. É a constatação que os irmãos Russo tem a missão de explicar as razões da briga, mas não ir muito profundo nessas feridas.

Há ainda um vilão na trama, que tempera ainda mais essa disputa. E há também a dubiedade do Soldado Invernal, mas novamente a Marvel peca em não criar vilões poderosos e inesquecíveis, ou em subaproveitar tantos personagens que espalha em seu filme. É tudo arquitetado para colocar seus produtos em destaque, o filme funciona perfeitamente bem, por exemplo, para resgatar o Homem-Aranha, e lhe oferecer nova possibilidade de retomar o personagem. Enquanto isso, vai mais fundo nas diferenças e personalidades de Rodgers e Stark, até constatar o quanto esses personagens carregam consigo o peso da perda dos pais (podem reparar, todos carregam o fardo, tanto Marvel, quanto DC).

O filme vale mesmo pela monstruosa sequencia no aeroporto, ali o fã pode se decilicar com o melhor de cada um dos poderes de seus heróis, a porradaria convincente, ainda que alguns nem saibam direito porque estão lutando por aquele lado. E dessas fragilidades que os irmãos Russo teorizam seu filme, com lutas cheias de câmera tremida (algumas que beiram o insuportável) e as sacadinhas de humor, porém mostram fragilidades que podem cegar por vingança ou teimosia, tal qual a imperfeição humana.

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doisladosdoamorThe Disappearance of Eleanor Rigby: Them (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A ideia, e realização inicial, partem da música dos Beatles (Eleanor Rigby), e do anseio de tratar diferentes pontos de vista de uma mesma história. O diretor lançou a versão “Him” e “Her”, que juntas passam das 3h de duração. Mas lá vieram os Weinstein fazendo Ned Benson remontar, unir as duas versões num único filme “Them”, de apenas 2h, aglutinando as duas versões. Dessa forma, surge um filme convencional, sobre uma crise conjugal, após uma tragédia, que abala marido (James McAvoy) e esposa (Jessica Chastain) em distinta intensidade.

Fica a curiosidade do quanto Benson pôde explorar, de cada um deles, nos filme isolados – e parece impossível não ter essa sensação. Triste, emotivo, simples (como a vida é), Benson trata das feridas do casal, enquanto explora a relação individual deles com a sociedade (ela com a família, ele com o trabalho e com o pai) e o próprio desgaste que causa o afastamento, o desconsolo, as atitudes desequilibradas. O diretor prega a máxima de que o caminho da reconstrução parte do alicerce, do tripé família x amor x trabalho. O tripé desbalanceado causa desestrutura, a busca por recomeços, necessidade de novas perspectivas. Na versão que chega ao cinema temos, exclusivamente, um filme sobre depressão, e a reconstrução a partir dela, com todo o peso do amor envolvido (que pode afastar ou reaproximar).

 

The Accidental Tourist Year 1988 Director Lawrence Kasdan William Hurt Kathleen TurnerThe Accidental Tourist (1988 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Macon Leary (William Hurt) é um escritor de livros de viagem do tipo “como sentir-se em sua casa numa viagem”. Um homem amargurado, incapaz de sorrir. É casado com Sarah Leary (Kathleen Turner), outra pessoa demonstrando-se sofrida e triste. Não é por menos, o casal sofre a morte do filho de doze anos, e ainda não digeriu a tragédia (e quem conseguiria?). O sofrimento desgasta o casamento, resulta no divórcio.

Surge Muriel Pritchett (Geena Davis), adestradora de cães, entra na vida de Macon como um furacão. O escritor tenta resistir, mas a garota é persistente e intrometida, e acaba conquistando-o. Cheia de vida, apesar de viver precariamente, com um filho que tem alergia a tudo, um contraste total da vida de Macon.

O triângulo amoroso é evidenciado quando reaparece a figura de Sarah sentindo-se sozinha e tentando reconquistar o marido de qualquer forma. Ele tem que escolher, logo que nunca foi de muitas escolhas. Dirigido pelo experiente Lawrence Kasdan, o filme é um drama denso e complicado, carregado de culpa e rotinas. Não chega a ser tão convencional porque há um humor fino, margeando toda a densidade dramática de pessoas tão sobrecarregadas por uma perda irreparável. Vale lembrar a atuação de Bill Pulman, que faz o editor de Macon e aparece bem num papel pequeno.