Posts com Tag ‘William Shakespeare’

faustaoFaustão (1971) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Glauber Rocha era referência no cinema nacional à época, se no primeiro trabalho de Coutinho era possível enxergar alguma aproximação com ele (Terra em Trase), esse novo filme tem ligações óbvias como a fase do cangaço (Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro). Ao mesmo tempo, trata-se de uma adaptação de duas obras de Shakespeare, Falstaff e Heinrique IV. Coutinho filma Shakespeare no sertão.

Um cangaceiro temido se vê no meio da briga de dois coronéis, sequestra o filho de um deles e espera pelo resgate. Faustão (Eliezer Gomes) vive de sua audácia e liberdade, dos prazeres, e dos temores que sua violência impõe. Naquela terra sem lei, o cangaceiro representa o ser livro, o justiceiro, o temido, é uma espécie de herói com seu próprio código de conduta.

Infelizmente, o filme é muito arrastado desde seu começo, o foco total em Faustão e sua vida de beberrão entre mulheres de vida fácil, e uma coragem inabalável na língua acaba deixando pouco espaço para Henrique (Jorge Gomes), o filho do coronel que acaba sendo apadrinhado na vida de cangaceiro. Vingaça, honra, cumplicidade, nada disso está acima do status, de uma forma ou de outra, o que vale é a lei do mais forte.

Cesare Deve Morire (2012 – ITA)

O poder do novo filme dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani é muito mais presente em sua importância social. Trata-se de um documentário sobre a montagem da peça Julio César (de Shakespeare), a tragédia e os planos de traição, assassinato e tomada do poder, encenados por presidiários (principalmente da máfia italiana) ganha contornos ainda mais dramáticos.

Desde a escolha do elenco até os ensaios, o resultado é extremamente teatral. Está longe da praga dos realities shows da vida, com fotografia em branco e preto e um envolvimento praticamente zero, os Taviani acompanham os ensaios, o foco é total no nascimento de atores, ou na dedicação dos detentos em dividir suas emoções contidas com as dos personagens.

A questão “Cesar deve morrer” parece tão mais intensa quando dita por pessoas que realmente tiraram vidas de outras, por isso repito que o cunho social dos “personagens” traz representatividade maior do que o resultado em si de um documentário sobre uma peça de teatro de amadores.

The Tragedy of Othello: The Moor of Venice (1952 – EUA/ITA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Um grande funeral, antes dos créditos iniciais, dá sinais da tragédia anunciada. Orson Welles dirige e interpreta esta adaptação da obra de William Shakespeare. O dramaturgo britânico discute a ingenuidade provocada pelo o amor, a insegurança desperta pela traição, a cegueira do cíumes, e a ânsia de poder.

Othello (Orson Welles) casa às escondidas com sua amada Desdêmona (Suzanne Cloutier), ele é general do exército de Veneza, mas por ser mouro é renegado pelo pai de sua esposa. Após a vitoriosa guerra no Chipre contra os Turcos, Othello entra num jogo articulado por Iago (Micheál MacLiammóir) – seu porta-bandeiras e preterido a um cargo de tenente – insinuando suposta infidelidade de sua esposa, com Cássio (Michael Laurence), outro oficial do exército.

Iago cria uma rede de acontecimentos para ludibriar Otelo, com provas irrefutáveis do suposto adultério que o ciúme deixa este homem cego e completamente vulnerável aos meandros proporcionados por Iago. A felicidade do casamento desmorona, contaminada pelas artimanhas de um exímio manipulador. O mais impressionante da trama é como o ciúmes corrosivo desestabiliza um general tão imponente.

Orson Welles se pintou de negro para interpretar Othello, Iago é o grande personagem dessa trama, responsável por todo o direcionamento da história, manipulando a todos em prol de suas metas. Welles filma de maneira bem tradicional, com enquadramentos privilegiando os close’s-up e narrativa direta caprichando nos cenários faraônicos, repletos de imensas salas e de uma trilha sonora contundente. Boa maneira de mascarar as dificuldades que consumiram três anos até a confecção do filme e são evidentes no resultado final.

souounaosouTo Be or Not to Be (1983 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Comédia do Mel Brooks. Esse rótulo já diz muita coisa, ou quase tudo sobre um filme. A trama pastelão foi parar na Segunda Guerra Mundial, o casal de astros do teatro polonês nos anos 30, Frederick Bronski (Mel Brooks) e Anna Bronski (Anne Bancroft) tentam fugir, com seus amigos, entre eles judeus e homossexuais, da invasão Nazista à Polônia. Para isso uma trama rocambolesca, e uma série de confusões, com envolvimento de espião da Gestapo, flerte a um jovem militar (Tim Matheson) do exército alemão, e as mais terríveis confusões que colocam Frederick no “papel da sua vida”.

São várias as citações a Shakespeare, de Hamlet a O Mercador de Veneza. Tom político suave, erros históricos grosseiros, o diretor Alan Johnson está ali comandando o entretenimento, mas quem manda é Mel Brooks. Inserções musicais simples, tudo para Mel Brooks pintar a bordar como preferir, tudo dentro do seu estilo de comédia, ultrapassada, porém divertida.