Posts com Tag ‘Wong Kar-Wai’

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• Batman:
a repercussão da escolha de Ben Affleck deu o que falar essa semana [Variety]

• Wong Kar-Wai: o mestre do cinema chines falando de cinema de ação e The Grandmaster [IndieWire]

• Serra Pelada: trailer do filme dirigido por Heitor Dhalia, com Wagner Moura e Juliano Cazarré [Omelete]

• American Sniper: Spielberg saiu do projeto, Clint Eastwood é quem pode assumir [Variety]

• Abel Ferrara: entrevista com o cineasta em Locarno [Mubi]

• Caverna do Dragão: o final desse desenho animado incrível nunca foi exibido, nem gravado, mas ele pode ter sido escrito [Complexo Greek]

 

starwars_behindthescene• Fãs de Star Wars? Então esse link é para voce se deliciar. São sessenta e seis fotos tiradas durante as filmagens da antiga trilogia Star Wars. Fotos de bastidores, atores e equipe descansando ou fazendo bricandeiras. Literalmente o momento “por trás das cameras“, quarenta anos atrás [Imgur]

• O Letterboxd é uma rede social para amantes de cinema, desde Fevereiro está aberta ao público, mas eu só acabei entrando nessa semana, e é viciante. Fica a dica para quem quiser entrar, para dar um gostinho vou deixar link na minha lista de Filmes dos Festivais de 2012 e minha Watchlist.

• e o fanático por Batman que construiu sua própria BatCaverna. Deem uma olhada em como ficou a casa do cara. [CBR] via @fabridoss

• Se o Festival de Sundance tem sua versão em Londres, chegou a vez de importar a ideia e realizarmos aqui no Brasil. O festejado Festival de Tiradentes terá sua versão paulista. Boa notícia para os cinéfilos. [Valor Economico

before-midnight-spectacular-now-prince-avalanche-slice• A temporada de Verão nos EUA começou com Homem de Ferro 3, mas para quem não se interessa só pelos arrasa quarteirões que tomam conta de quase todas as salas de cinema o Collider lançou uma lista dos 10 destaques entre os filmes indies (dura é saber quando teremos todos por aqui) [Collider]

• As timelines das minhas redes sociais bombaram com esse cartaz, muita gente curiosa com o que Lars Von Trier irá aprontar com Ninfomaníaca [AdoroCinema]

• Por fim, aos fãs de Wong Kar-Wai, esse clipe-sinfonia com imagens de alguns filmes do mestre [IndieWire]

thegrandmasterThe Grandmaster (2013 – HK) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Lutas debaixo de uma chuva torrencial criando um espetáculo fabuloso. A conjunção da textura da água e o balé dos golpes, unindo a beleza do movimento dos corpos, os ângulos de câmera inusitados, e a agilidade dos cortes. Como resultado: uma força plástica visual deslumbrante. A cultura das artes marciais, a vingança e a busca pelo poder, a influência da invasão japonesa à China, eis a vida de Ip Man (Tony Leung), ou seu período de inverno, como o próprio prefere afirmar.

The Grandmaster poderia estar presente em qualquer uma das fases da filmografia de Wong Kar-Wai. Praticamente um resumo de sua obra, contendo desde seu início nas artes marciais até as mais delicadas formas de narrar amores irrealizáveis. Passando, é claro, por suas obsessões estilísticas, o ritmo que varia entre o slow motion e os cortes bruscos e ágeis, os fabulosos vestidos femininos, os planos fechados nos rostos dos personagens, a fumaça dos cigarros invadindo a tela.

thegrandmaster2Depois de um longo hiato desde seu último trabalho, primeiro e único nos EUA, Kar-Wai arrisca pesado nesse processo de revisitar seu cinema, mas conta aqui com a tecnologia como fundamental aliada para fugir desse perigo que se impõe. E, dessa forma, obter um resultado estético, no mínimo, magistral, e aprimorando seu estilo, ao invés de apenas repeti-lo.

Kar-Wai filme e trata com respeito a sucessão de um mestre de Kung Fu, a representatividade e o status, porém ele sempre absorve as histórias para explorar minúsculos detalhes que o diferem de um simples contador de histórias para um poeta da sétima arte. A luta com o bolo na mão é um desses momentos típicos de Kar-Wai, assim como a conversa relevadora com Gong Er (Zhang Ziyi), quando o kung fu cede espaço às verdadeiras intenções do cineasta em resgatar essas vidas. O final, até otimista de Um Beijo Roubado, não mudou nosso Kar-Wai, o cineasta dos amores irrealizáveis.

amoresexpressosChong qing sen lin / Chungking Express (1994 – HK) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Nenhuma história de amor é igual, e as narrada por Wong Kar-Wai menos ainda. Dividido em duas histórias paralelas, o filme mantém uma duplicidade constante. São duas mulheres, e dois policiais identificados apenas por números, e rejeitados por suas amantes. São também duas aeromoças que se envolvem com esses policiais. Até mesmo as identificações dos policiais têm números duplicados. As semelhanças não param por aí, as histórias estão ligadas por um pequeno fast-food, também se relacionam com a noite de 30 de abril, e estão cercadas por comida.

O policial 223 (Takeshi Kaneshiro) decidiu dar um prazo de trinta dias para sua ex-namorada reatar com ele. Uma traficante, de peruca loira (Brigitte Lin), procura desesperadamente alguns imigrantes que iriam embarcar com seus entorpecentes, mas fugiram dela com a droga. Ele irá se apaixonar por ela em 57 horas. Na outra história, a garçonete Faye (Faye Wong) apaixonou-se pelo policial 633 (Tony Leung) que acabou de perder sua namorada aeromoça. Às escondidas, Faye entra no apartamento do policial, troca pequenos objetos, diverte-se durante tardes, tenta deixar um pouco dela pelo apartamento, pretende ser notada.

Kar-wai emprega diferentes formas de filmagem a cada personagem, na primeira história a câmera é ágil, frenética. Em algumas cenas, o protagonista fica estático enquanto uma multidão passa acelerada pelo fundo, um completo sentimento de solidão enquanto a metrópole não para. Kar-Wai destaca assim a importância da aquela vida, em particular, no meio da multidão. A câmera também acompanha uma perseguição, e a noção de corrermos junto ao policial é clara, terminamos ofegantes. Na outra história, a câmera é mais suave. Contemplativa como o personagem conservador, que fala pouco e olha fixamente. Ele sente que seu relacionamento não está bem, e não sabe onde mudar. Então ele traz a muda através de pequenos hábitos, altera a comida como se estivesse modificando seu invariável dia-a-dia. Pena que já era tarde, deveria ter continuado na salada.

California Dream toca a todo o momento, em volume alto, a garçonete sonha em morar na Califórnia, a música guia o filme para um ritmo agradável. Dream, do Cranberies, também dá o ar da graça e ambas canções complementam a narrativa. Kar-Wai distribui elementos com riqueza admirável, margeando histórias urbanas e transformando a cidade em algo além de mero palco. São relações cifradas, casos de amor simultaneamente parecidos, e distantes, que ocorrem, comitantemente, e expressam o amor de forma pudica. Kar-Wai faz um filme “moderninho”, esquematiza um quebra-cabeça alicerçado em dois atores de talento, Takeshi Kaneshiro e o bárbaro Tony Leung. Faz de Amores Expressos, um apetitoso prato para quem deseja navegar pelo seu cinema de amores irrealizáveis.

amoraflordapele2In the Mood for Love / Fa Yeung Nin Wa (2000 – HK) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Filmado com classe e distinção, na Hong Kong dos anos sessenta. Dois casais se tornam vizinhos, mudam-se no mesmo dia (sequencias de humor delicioso na troca dos móveis). Seus pares viajam muito à trabalho, Sra. Chan (Maggie Cheung) e Sr. Chow (Tony Leung) quase sempre se encontram, sozinhos, por pequenos becos da vizinhança, ou na escadaria do prédio, quando voltam do trabalho ou saem para comprar noodles.

O ballet dos corpos, trilha sonora, sombras, olhares e encontros. A câmera lenta, os vagarosos e constantes travellings, a fumaça que invade o quadro. O cineasta Wong Kar-Wai está dissecando seus personagens e os lugares por onde passam. Enquadramentos pamoraflordapele1or entre muros, nas frestas de portas ou no canto de uma janela, sempre com elegância e estilo.

O amor irrealizável, a integridade do matrimônio e a desconfiança que seus cônjuges tem um caso. Como eram começaram é o questionamento dos traídos. A dor que aproxima: amizade ou paixão motivada pela vingança?

Não há cena sequer em que requinte e bom-gosto não estejam intimamente ligados. A montagem tem momentos que se assemelha aos primeiros filmes de Resnais, diálogos que se encaixam, mas não ocorrem no mesmo momento, a chuva, os encontros infortúnios, o amor à flor da pele renegado. Lágrimas, tristeza, desesperança, Nat King Cole cantando em espanhol boleros que casam perfeitamente com lugares, o caminhar melancólico. A luz, sombras, o som, e os olhares, ah os olhares.

A imagem flui lenta, cadenciada. O amor silencioso corrói os corações, e a angústia desses corações mudos é combustível para interpretações sutis e viscerais de Maggie Cheung (e seus deslumbrantes vestidos floridos) e Tony Leung que eles não precisam falar, os gestos e olhares falam tudo, traduzem o que palavras não conseguiriam. Ao fundo o período conturbado da vida de Hong Kong, as pessoas mudando-se para outros países asiáticos, ainda as transformações desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A obra-prima de Kar-Wai é lírica, e espantosamente moderna e clássica. São cenas que esse que vos escreve esquecerá jamais.

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