Posts com Tag ‘Woody Harrelson’

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (EUA – 2017) 

E já temos o primeiro grande filme sobre a Era Trump. Porque essa conjunção de roteiro dramático com comédia de humor negro (à la irmãos Coen) remete a características socialmente marcantes no mandato do atual presidente dos EUA. De um filme sobre uma mulher (Frances McDormand) revoltada por a policia não ter conseguido desvendar o mistério do assassinato de sua filha, o diretor Martin McDonagh tece esse estudo social dos rincões desse país cuja liderança dá passos para trás e traz a intolerância como palavra de ordem.

Do inconformismo vem a ideia do anúncio provocativo nos três outdoors da cidade. A policia se revolta, e a cidade se divide apoiando ou revidando ao inconformismo dessa mãe. Surgem reações, reviravoltas, e atitudes inconsequentes e irracionais, onde o desrespeito pelo outro é presença central nas relações humanas. McDonaugh realmente se aproxima muito dos primeiros filmes do Coen, o humor e a violência são muito parecidos, mas essa carga dramática que tanto McDormand, como Woody Harrelson carregando em suas histórias é um elemento novo nesse cinema provocativo e ácido.

A trama leva alguns atos às últimas consequências, mas é um retrato tão vibrante de uma nação que está mais desunidada a cada dia, onde cada um pessoa exclusivamente em si mesmo, e troca o discordar (ou não aceitar) por brigar até aniquilar o que tenha visão de mundo contrária a sua. Trump e seu governo agressivo e intolerante são a linha mestra para um povo que perde sua unidade e só se deteriora em aspectos humanos. E nisso tudo, o novo filme de McDonaugh é feroz, elevando seu cinema a um patamar bem superior ao que realizou em seus dois trabalhos anteriores. Devemos vê-lo, com protagonismo, na corrida do Oscar, no Festival de Veneza já foi destacado com prêmio de Melhor Roteiro.

natrilhadosolThe Sunchaser (1996 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A proposta nem é das mais elaboradas, presidiário perigoso fugir sequestrando o médico que lhe atendeu no hospital. O médico, chato de tão certinho, interpretado por Woody Harrelson, já é um show a parte. Afinal, é impactante ver o ator, após tantos personagens desregrados, assumir a encarnação do engomadinho, playboy, cheio de teorias convervadoras. De outro lado um índio navajo (Jon Seda), paciente em câncer terminal, querendo fugir para suas origens, suas crenças sagradas.

O embate entre ciência x fé é uma das propostas, mas Michael Cimino não perde o DNA da arma na mão e disparos de tiros por todos os lados. Há ação, humor, os travellings cheios de movimento do cineasta, o exercício de seu estilo numa história com apelos dramáticos e clichês que vão desde o grau de amizade estabelecido, o medo da situação, e principalmente a figura de qualquer outro personagem que não os protagonistas.

truquedemestreNow You See Me (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Se David Copperfield fosse parar no cinema, o resultado seria um filme como esse. O diretor Louis Leterrier usa de todas as artimanhas e pirotecnias do cinema (desde efeitos especiais, a roteiros cheios de segredinhos) para criar esse entretenimento pipoca-tamanho-família. Um conjunto de tolices muito bem tramadas por um ritmo narrativo agradável e um grupo grande de atores famosos (Jesse Eisenberg, Isla Fisher, Woody Harrelson, Mark Ruffalo, Mélanie Laurent, Morgan Freeman, Michael Caine, Dave Franco).

Mais tarde a história abusa do “mentir ao público” e aquele show de mágica, misturado com roubo a banco, naufraga na paciência dos que cobram um minimo de coerência. Personagens caricatos, romances óbvios desde a primeira cena, e a transposição do mundo dos ilusionistas para o mundo do cinema, que deixa tudo mais fácil.

SetePsicopataseumShihTzuSeven Psycopaths (2012 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Martin McDonaugh foi bem alardeado com seu filme anterior (Na Mira do Chefe), acabei não vendo, mas este aqui caiu de paraquedas na minha frente. E ele não passa de um sub-Tarantino, acreditando que tem um roteiro muito inteligente e genial. Primeiro aviso é que ele não tem esse roteiro, e sim uma salada de personagens psicopatas que, acredita, juntos, formar um conjunto capaz de divertir.

Não consegue seguir além de um início interessante, até que cada personagem seja colocado em seu lugar, e começa o banho de sangue. Aviso dois, McDonaugh não passa nem perto do talento de Tarantino para criar cenas inesquecíveis, ele apenas filma o sanguinário, sem excelência, sem alma. Aviso três, chega um momento em que o frankenstein que o filme se tornou ganha vida e foge totalmente do controle, hora de matar todo mundo para “recuperar” as rédeas da situação.

Rampart

Publicado: dezembro 21, 2011 em Uncategorized
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Rampart (2011 – EUA)

No filme anterior da parceria do diretor Oren Moverman e o ator Woody Harrelson – O Mensageiro– mudava-se a farda, não o personagem. É o mesmo desregulado, marginalizado, e cheio de orgulho, que, de alguma forma, vive na geração passada. Aqui a história trata de um policial durão, violento, linha-dura, aquele estilo antigo de resolver tudo e manter um “código de ética”. Ele divide a casa com suas filhas e suas ex-esposas, quase um harém onde tenta seduzi-las diariamente para divertimentos sexuais. Não consegue ali, parte para um bar até conseguir sexo. É tudo à moda antiga.

O filme trata dessa ladainha de sempre, acusações de violencia desnecessária, videos, decadencia. Se o estilo de Moverman pode ser notado, em praticamente o filme todo, travellings em 360, câmera na mão, angulos inusitados. A ladainha de sempre, com mais uma história repetida, afunda qualquer interesse que o filme pudesse alcançar, não passando de chavões batidos, com uma roupagem “autoral”.

People vs. Larry Flynt (1996 – EUA)

Escolher adjetivos para definir o sujeito que criou a revista Hustler e tornou-se um dos maiores nomes do mundo pornográfico no mundo seria uma tarefa fácil, ele é altamente rotulável, cheio de manias e dono de uma irreverência sem limites. O filme de Milos Forman fala versa sobre a liberdade de expressão? Que nada, Larry Flynt (Woody Harrelson) levantava essa bandeira para mérito próprio, mas é verdade que sua luta era justa e sua coragem inestimável. Só que, por incrível que pareça, o filme chega a ser careta se pensarmos no tamanho dos temas e tabus retratados (e principalmente pelo perfil explosivo e depravado de Flynt). Em alguns momentos mal arranjado, cortes de qualquer jeito e essa sensação de que a depravação está dentro dos personagens e pouco no que vemos. Forman prefere as cenas de tribunais, onde Edward Norton nem chega a brilhar, quando era em Courtney Love que poderia se explorar melhor a relação com Flynt, a revista e esse submundo despudorado que foi primeiramente retratado nas páginas da Hustler.

O Mensageiro

Publicado: fevereiro 8, 2010 em Uncategorized
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The Messenger (2009 – EUA)
Soldado ferido na Guerra do Iraque é destinado ao trabalho de informar familiares sobre a morte de seus entes na guerra. O exército considera que a informação deve ser dada ao vivo, por militares, e num curtíssimo espaço de tempo antes que a CNN ou algum site da internet chegue primeiro aos olhos dos familiares. Havia dois caminhos a percorrer depois de desenvolvida sua premissa dolorida e angustiante. A opção do filme, dirigido por Oren Overman, foi, infelizment,e a mais óbvia dentro do tema, optando pelo desequilíbrio dos ex-combatentes. Pela dificuldade de adaptação e pelas feridas que parecem nunca curar-se.
Sem exceções, as cenas em que os militares batem à porta das casas e transmitem a triste notícia causam assombro e destruição, cada um recebe a seu modo, sempre com uma tristeza sem fim. Esse mar de infelicidade refletido nos homens frustrados com o horror da guerra, com suas vidas em frangalhos após terem largado tudo para combater, são ecos dentro de almas que mais parecem queijo suíço, estatelados pela solidão, pelo abandono, pela falta de perspectiva. Um romance torto que não engrena, a perda do bom-senso, no fundo Overman (ex-combatente também) justifica comportamentos.