Posts com Tag ‘Yui Natsukawa’

distanceDistance (2001 – JAP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

É bem provável que o fato gerador tenha sido o ataque terrorista promovido, em 1995, com gás Sarin, por uma seita religiosa, no metrô de Tóquio, deixando dezenas de feridos e mortos, aterrorizando o país. O que o diretor Hirokazu Kore-eda propõe, no filme, é expor uma visão perpendicular sobre o terrorismo. Muito mais do que um pacifista, o cineasta preocupa-se em cultivar as memórias, de cada um daqueles que trocaram a vida por suas crenças e ideais.

Na história, uma seita religiosa contaminou alguns reservatórios de água em Tóquio, causando sérios problemas à população. Milhares de feridos, e inclusive mais de cem mortos. As razões não ficam nada explicadas, mas, sucessivamente, dezenas de participantes dessa seita promovem um suicídio coletivo, e as cinzas jogadas num lago próximo ao local onde habitavam.

O filme parte da reconstituição precária das lembranças de um grupo de quatro pessoas, que perderam parentes nesse evento. A esposa, um irmão ou um amigo, não importa. Eles reúnem-se, anualmente, numa peregrinação junto ao tal lago, onde foram lançadas as cinzas. Prestam homenagem aos que se foram, lamentam profundamente o ocorrido, e tentam entender as razões para que terem largado suas vidas e se embrenhado nesse caminho de crenças e estranhos ideais. Dessa vez, devido a um assalto, conhecem no local um sobrevivente, que conviveu com os respectivos parentes de cada um, inicia-se um relato do dia-a-dia, do convívio, um martírio necessário para cada um expurgar suas mágoas.

O que incomoda em Tão Distante é a ligeira impressão de barco a deriva que o filme possui, a montagem é confusa, os personagens pouco explorados, a fotografia é linda quando se pretende contemplar a paisagem. O filme possui um quê de profundo, mas se alicerça em flashbacks pouco elucidativos que apenas recriam o momento de tensão pré-ingresso na seita pelos seguidores. O interesse de Kore-eda é muito mais voltado ao íntimo dos integrantes de um grupo desse tipo. E como preferiu um filme de lembranças, visto pelas pessoas que mais tinham preconceito do grupo, fica uma sensação de pré-julgamentos. Assim, seu filme além de confuso, lento e tão distante, está também impregnado de uma repreensão nada benéfica a seus personagens.

 

zatoichiZatoichi (2003 – JAP) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A figura do samurai cego é muito popular no Japão, o conto de Kan Shimozawa inspirou outros filmes e programas de TV. Takeshi Kitano resolveu mostrar sua visão sobre o personagem trazendo-o novamente às telas, deixando nele traços de sua marca registrada. O humor impagável é presença constante, o sangue jorra, exageradamente, mesmo que longe das lutas coreografadas de filmes como em Matrix ou O Tigre e o Dragão. Para o Zatoichi, apenas dois ou três golpes são o necessário para aniquilar o embate.

Conhecido apenas como Massagista (Beat Takeshi), o cego perambula pelo Japão do século XIX, vivendo de seu ofício e da jogatina. Escondendo suas habilidades no manejo da espada, mantendo-a camuflada numa bengala. Por esses caminhos, conhece duas gueixas, que vivem o desejo de vingar-se dos assassinos de sua família. No bairro, uma nova e violenta gangue assumiu o controle e coloca terror nos comerciantes. O Massagista toma as dores das pessoas que o acolheram e aguarda o momento certo para defrontar-se com a tal gangue que acaba de contratar um samurai como guarda-costas.

Novamente o próprio Kitano assume o personagem principal, além de inúmeras outras funções na produção, e sem dúvida o humor é o grande atrativo do filme. Satírico, só de olhar para a figura do Massagista já se tem vontade de abrir o sorriso, ainda mais quando ele solta sua risada marcante. Filmado como um faroeste à japonesa, de maneira contagiante e debochada.

Entre os melhores momentos, as cenas envolvendo a lenha cortada, Shinkichi (Gadarukanaru Taka) envolto aos jogos de azar, pequenos detalhes antes das lutas, o disfarce feito nos olhos do Massagista, mas, principalmente o gran-finale com com a apresentaçãi de sapateado fora dos padrões. Kitano é eficiente no que planeja apresentar, manuseia com habilidade sua câmera, e entrega um filme-deleite a seu público.