Malina

Publicado: novembro 14, 2020 em Cinema
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Malina (1991 – AUT)

É menos a história dessa mulher dividida entre amores com dois homens tão diferentes, e bem mais um frenético mergulho na autodestruição psique de uma poetisa, cujo dois relacionamentos intensificam esse processo. Werner Schroeter adapta o livro da austríaca Ingeborg Bachman, notória feminista de morte precoce, as cores fortes, o constante uso de ópera, além de outros elementos de seu cinema colaboram muito em intensificar esse estado destrutivo. A protagonista sem nome escreve cartas, traz lembranças demoníacas do pai, encontra diversão e prazer sexual entre seus parceiros e cria acessos de loucura nessa mente perturbada que caminham para sua destruição. É um filme vibrante, cheio de paixão e cigarros e cartas, enfim, dos excessos Schroeter descontroi sua personagem entre fogos e autoflagelo.

Tenet

Publicado: novembro 13, 2020 em Cinema
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Tenet (2020 – EUA)

A Origem, Interestellar, e até Dunkirk, mas tudo começou mesmo com Following e Amnésia. É clara essa obsessão de Christopher Nolan por linhas do tempo, inclusive seu cinema é muito combatido por um excesso de explicações, mas, afinal, fazer o publico entrar na lógica dessas histórias requer explicações 

Tenet é o Nolan abusando das linhas do tempo e do superlativo, seu thriller de espionagem nega o time travel, mas realiza um vai-e-vem no tempo que requer muita, mas muita explicação, com linhas paralelas, e outras artimanhas que vou evitar os spoilers.

O conceito é interessante, permite ao filme cheio de ação inúmeras possibilidades que o desenrolar da trama apresenta. Porém, a trama de espionagem em si já é tão cheia de discussões sobre bombas, elementos químicos e etc, que por si só pedem inúmeras informações. Fora isso, a coisa da linha do tempo requer ai da mais explicações. O resultado não é só um filme, mas uma enxurrada de informações a todo instante. Massante, confuso. E ha ainda o superlativo, quando a ambição de inovar é tão grande que o fodo nem parece caber ali.

E o que deveria ser o trunfo, algumas das cenas de ação, padecem exatamente do conceito inovador, em especial as cenas de ação quase parecem em câmera lenta, Coreografadas, tudo muito teleguiado. Nolan, não deu.

Monos

Publicado: novembro 13, 2020 em Cinema
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Monos (2018 – COL)

O cineasta Alejandro Landes nos convida à selva amazônica colombiana. Em planos belíssimos, o filme abre com um grupo jogando futebol, com os olhos vendados, numa espécie de ruínas, no alto de uma montanha. A seguir descobrimos que se trata de um grupo jovens guerrilheiros que sequestraram uma engenheira americana. Uma organização, um braço da Farc, que aprende com os guerrilheiros mais experientes, mas tem sua independência. Um bando de jovens inexperientes, seguros de si, que empunham armas e se embrenham na selva. Talvez sem nenhuma inclinação político-social, a não ser o único estilo de vida que conhecem, ou podem imaginar viver.

O filme de Landes é intenso, entre o lamaçal, mosquitos e violência, o grupo tem disputa de poder, romances, e a imaturidade colocada à prova. Mas, o instingante do filme é esse mergulho instintivo em personagens e o meio em que vivem, algo que vai ao primitivo, que consegue ser aflitivo e triste por energar a juventude que se esvai tão fácil, que luta pela sobrevivência sem nem saber quais outras opções poderia viver.

Verão de 85

Publicado: novembro 12, 2020 em Cinema
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Été 85 (2020 – FRA)

François Ozon não cansa de mencionar em entrevistas que encantou pelo livro, quando o leu em 1985, que tinha a mesma idade do protagonista naquela época, e escreveu um roteiro há trinta anos, e gostaria que tivera sido seu primeiro filme. Realmente o filme consegue ser puro cinema de Ozon, thriller, romance e sexo, momentos de leveza, e outros uma atmosfera que flerta, mas nunca chega nem perto, com o horror. Ao mesmo tempo, essa condensação de seu cinema, ainda passa longe dos momentos mais gloriosos de sua filmografia.

Há um romance prazeroso, os dois jovens, velejar, aventuras, a praia na Normandia, a trilha pop (Cure, Rod Stewart, etc), a mãe destrambelhada, é fácil cair nas garras do filme. Por outro lado, desde o primeiro momento, já sabemos que um deles está morto, e que o outro deve explicações na justiça. O thriller e o romance se encontram, Ozon realiza um filme tão solar, que mesmo os picos dramáticos, as questões mórbidas, os arrombos de mágoas, se entrecruzam para desaguar muito mais no simpático e bonitinho, do que no desconcertante e emocionante.

Malmkrog

Publicado: outubro 23, 2020 em Cinema, Mostra SP
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Malmkrog / Manor House (2020 – ROM)

A partir de um livro do russo Vladimir Solovyov, Cristi Puiu nos leva ao mundo da aristocracia, em pleno século XIX, no Leste Europeu. Serão mais de 3 horas de um filme cerebral, calcado em diálogos e mais diálogos enquanto Puiu é milimétrico em um cinema austero de longas sequencias sem cortes, ou planos-contraplanos na mesa de jantar. Em outro momento, planos bem aberto, com câmera fixa, posicionada em uma antessala, ao lado de onde os personagens conversam. Não é um filme muito acessível em sua teatralidade e densas conversas carregadas de arrogância. O grupo que reúne condessa, general, político e outros membros da aristocracia conversam em francês (era assim que a burguesia russa achava chique) e debatem sobre fé e anticristo, sobre amor e morte, destacam aspectos morais e principalmente a guerra. Sim, um deles defende guerras justas, uma jovem considera não aceitável matar alguém. Nações civilizadas x os selvagens, cada frase impõe clareza aos pensamentos de privilégios e desprezo aos que não fazem parte desse mundo.

Malmkrog faz referência em como os alemães chamam aquela aldeia na Transilvania onde a mansão fica localizada. A neve, o frio, contraponto para essa frieza com que Puiu revive personagens dessa estirpe, seu trabalho é rigoroso e cuidadoso, porém bastante cansativo, e sua maneira de demonstrar a decadência é nos fazer mergulhar naquele ambiente. O filme todo é o exercício observacional de nos fazer olhar com desprezo para essa burguesia cujo declínio era iminente.

Mosquito

Publicado: outubro 22, 2020 em Cinema, Mostra SP
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Mosquito (POR – 2020)

A cena inicial já deixa bem claras as intenções do filme, os soldados portugueses chegam num barco, a Moçambique, e para não se molharem são levados de “cavalinho” por negros. Vivemos a 1ª GM, os soldados chegam para combater os alemães, viverem o horror da guerra, mas não podem molhar os pés.

Através da história do jovem português se alistou esperando lutar na França e foi parar na África, e acaba se perdendo de seu pelotão, seguimos essa via-crucis onde o combate de guerra, que, vejam só, é até um drama menor comparado ao colonialismo. Por essa trajetória de sobrevivência de Zacarias nos deparamos com a dicotomia de enfrentamento portugueses x alemães, portugueses x moçambiquenhos, e toda a crueldade que o poder lhe permite exercer, enquanto João Nuno Pinto oferece cenas lindas, diurnas ou noturnas, bebedeiras, sexo, confrontos. Há também espectros de cinema sensorial, porém o mais rico é a dualidade do personagem que vai de monstro a herói em poucos segundos, inúmeras vezes, e como fica rica essa visão crítica do colonizador que acha sempre ter sido “bom” para aquele povo.

Guia – 44ª Mostra SP

Publicado: outubro 21, 2020 em Cinema, Mostra SP
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Que a Mostra SP começa dia 22/10 e será 100% online (ou em Drive-ins) vocês já sabem, importante que cad cinéfilo faça sua programação com base nos limites para compras de ingressos, quantidade de views e etc. A dica é não deixam de fazer sua programação e medir quantos filmes por dia conseguem ver. Tem o vencedor do Urso de Ouro, do Grande Premio de Veneza, ou Casa de Antiguidades, o filme brasileiro com selo Cannes e cotado ao oscar de filme estrangeiro.

Mas, vamos aos filmes. No final desse post a tabela anual com os filmes da Mostra que foram exibidos nos principais festivais do mundo (entre os que ocorreram). A lista ajuda, mas claro que aproveitamos para destacar as principais dicas entre os já vistos e mais aguardados.

Visto e Recomendado

Siberia (imperdível)SiberiaAbel Ferrara
17 Quadras17 BlocksDavy Rothbart
DaysRiziTsai Ming-Liang
Gato na ParedeKotka v Stenata# Mina Mileva, Vesela Kazakova
Mamãe, Mamãe, MamãeMamá, Mamá, MamáSol Berruezo Pichon-Rivière
Welcome to ChechnyaWelcome to ChechnyaDavid France
Apenas MortaisBeing MortalLiu Ze

Mais Aguardados

Não Há Mal AlgumSheytan vojud nadaradMohammad Rasoulof
Nova OrdemNuevo Orden Michel Franco
NotturnoNotturnoGianfranco Rosi
CoronationCoronationAi Weiwei
StardustStardustGabriel Range
Gênero, PanLahi, HayopLav Diaz
MalmkrogMalmkrogCristi Puiu
PrefeituraCity HallFrederick Wiseman
MosquitoMosquitoJoão Nuno Pinto

Boas Aspostas

Farewell AmorFarewell AmorEkwa Msangi
Piedra SolaPiedra SolaAlejandro Telémaco Tarraf
Minha IrmãSchwesterlein# Stéphanie Chuat, Véronique Reymond
A HerdadeA HerdadeTiago Guedes
ShirleyShirleyJosephine Decker
Crianças do SolKhorshidMajid Majidi
Lua VermelhaLúa VermellaLois Patiño
Sportin’ LifeSportin’ LifeAbel Ferrara
Paisagem na NeblinaKrajina ve stínuBohdan Sláma
SummertimeSummertimeCarlos López Estrada
PaiOtacSrdan Golubović
ExílioExilVisar Morina
Chico Ventana Queria Ter um Submarino Chico Ventana También Quisiera Tener Un SubmarinoAlex Piperno
Dezesseis PrimaverasSeize printempsSuzanne Lindon
Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição Lemohang Jeremiah Mosese
WaldenWaldenBojena Horackova  
Jantar na AméricaDinner in AmericaAdam Rehmeier
Mães de AluguelThe SurrogateJeremy Hersh
Nadando Até o Mar Ficar AzulYi zhi you dao hai shui bian lanJia Zhang-ke
DAU. NatashaDAU. NatashaIlya Khrzhanovskiy/Jekaterina Oertel
Um Crime em ComumUn Crimen ComúnFrancisco Márquez
Fábulas RuinsFavolacce# Damiano e Fabio D’Innocenzo

Filmes dos Principais Festivais Internacionais

FilmeTítulo OriginalDiretorPaísFestivalSeçãoAnoPremiação
SuorSweatMagnus von HornPolôniaToronto2020
SiberiaSiberiaAbel FerraraItáliaBerlimCompetition2020
DaysRiziTsai Ming-LiangTaiwanBerlimCompetition2020
Todos os MortosTodos os mortos# Marco Dutra/Caetano GotardoBrasilBerlimCompetition2020
O CharlatãoCharlatanAgnieszka HollandTchéquiaBerlimBerlinale Special2020
As Veias do MundoDie Adern der WeltByambasuren DavaaAlemanhaBerlimGeneration Kplus2020
Mamãe, Mamãe, MamãeMamá, Mamá, MamáSol Berruezo Pichon-RivièreArgentinaBerlimGeneration Kplus2020
Welcome to ChechnyaWelcome to ChechnyaDavid FranceEUABerlimPanorama2020
Berlin AlexanderplatzBerlin AlexanderplatzBurhan QurbaniAlemanhaBerlimCompetition2020
Assim Como Acima, AbaixoKama fissamaa’ kathalika ala al-ardSarah FrancisLíbanoBerlimForum2020
Entre Cão e LoboEntre Perro Y LoboIrene GutiérrezCubaBerlimForum2020
A Deusa dos VagalumesLa Déesse des MouchesAnaïs Barbeau-LavaletteCanadáBerlimGeneration 14plus – Best Film2020
A Pastora e as Sete CançõesLaila Aur Satt GeetPushpendra SinghÍndiaBerlimEncounters2020
A Saída dos TrensIeşirea Trenurilor Din Gară# Radu Jude, Adrian CioflâncăRomêniaBerlimForum2020
Animais NusNackte TiereMelanie WaeldeAlemanhaBerlimEncounters2020
DesenterrarDiggerGeorgis GrigorakisGréciaBerlimPanorama2020
CasuloKokonLeonie KrippendorffAlemanhaBerlimGeneration 14Plus2020
Cidade PássaroCidade PássaroMatias MarianiBrasilBerlimPanorama2020
DAU. DegeneraçãoDAU. DegeneratsiaIlya Khrzhanovskiy/Ilya PermyakovAlemanhaBerlimBerninale Special2020
IrmãsIrmãs# Luciana Mazeto, Vinícius LopesBrasilBerlimGeneration 14plus2020
Mate-o e Deixe Esta CidadeMistrz i MalgorzataMariusz WilczynskiPolôniaBerlimEncounters2020
Lua VermelhaLúa VermellaLois PatiñoEspanhaBerlimForum2020
PaiOtacSrdan GolubovićSérviaBerlimPanorama2020
Chico Ventana Queria Ter um Submarino Chico Ventana También Quisiera Tener Un SubmarinoAlex PipernoUruguaiBerlimForum2020
Nadando Até o Mar Ficar AzulYi zhi you dao hai shui bian lanJia Zhang-keChinaBerlimBerlinale Special2020
DAU. NatashaDAU. NatashaIlya Khrzhanovskiy/Jekaterina OertelAlemanhaBerlimCompetition2020Contrib Artist
Um Crime em ComumUn Crimen ComúnFrancisco MárquezArgentinaBerlimPanorama2020
Não Há Mal AlgumSheytan vojud nadaradMohammad RasoulofIrãBerlimCompetition2020Urso
Irmãs SeparadasIm FeuerDaphne CharizaniAlemanhaBerlimPerspektive Deutsches Kino2020
Fábulas RuinsFavolacce# Damiano e Fabio D’InnocenzoItáliaBerlimCompetition2020Roteiro
MalmkrogMalmkrogCristi PuiuRomêniaBerlimEncounters2020
Este é Meu DesejoEyimofe# Arie Esiri, Chuko EsiriNigériaBerlimForum2020
Eeb Allay Ooo!Eeb Allay Ooo!Prateek VatsÍndiaBerlimPanorama2020
O Problema de NascerDie Last geboren zu seinSandra WollnerÁustriaBerlimEncounters2020
Impedimento em CartumKhartoum OffsideMarwa Zein SudãoBerlimForum2019
Minha IrmãSchwesterlein# Stéphanie Chuat, Véronique ReymondAlemanhaBerlimCompetition2020
Nossa Senhora do NiloNotre-Dame du NilAtiq RahimiFrançaBerlimGeneration 14plus2020
NúmerosNomeryOleg Sentsov, Akhtem Seitablaev UcrâniaBerlimBerlinale Special2020
Gato na ParedeKotka v Stenata# Mina Mileva, Vesela KazakovaBulgáriaLocarnoCompetition2019
Prazer, Camaradas!Prazer, Camaradas!José Filipe CostaPortugalLocarnoout-of-competition2020
WaldenWaldenBojena Horackova  FrançaLocarnoSecret Screenings2020
CalazarKala AzarJanis RafaHolandaRotterdãTiger Awards Competition2020
Cozinhar F*der MatarZáby bez jazykaMira FornayTchéquiaRotterdãVoices2020
Quando AnoiteceThe Evening Hour Braden KingEUARotterdãTiger Awards Competition2020
O Nariz ou A Conspiração dos DissidentesNos Ili Zagovor NetakikhAndrey KhrzhanovskyRússiaRotterdãPerspectives2020
O Despertar de Fanny Lye Fanny Lye Deliver’dThomas ClayReino UnidoRotterdãBig Screen2020
MosquitoMosquitoJoão Nuno PintoPortugalRotterdãBig Screen Competition2020
PanquiacoPanquiacoAna Elena TejeraPanamáRotterdãBright Future2020
Problemas com a NaturezaThe Trouble With NatureIllum JacobiDinamarcaRotterdãBright Future2020
Piedra SolaPiedra SolaAlejandro Telémaco TarrafArgentinaRotterdãTiger Awards Competition2020
Mães de VerdadeAsa ga KuruNaomi KawaseJapãoSan SebastianCompetition2020
Ao EntardecerAu Crépuscule (Dusk)Sharunas BartasLituâniaSan SebastianCompetition2020
Dezesseis PrimaverasSeize printempsSuzanne LindonFrançaSan Sebastiannew directors2020
EspacateШпагатChristian Johannes Koch SuiçaSan Sebastiannew directors2020
Feels Good ManFeels Good ManArthur JonesEUASundanceUS Documentary2020juri
A Terra É Azul Como Uma LaranjaThe Earth Is Blue As An OrangeIryna TsilykUcrâniaSundanceWorld Documentary2020diretor
VivosVivosAi WeiweiInternacionalSundanceDocumentary Premières2020
Verão BrancoBlanco de VeranoRodrigo Ruiz PattersonMéxicoSundanceWorld Cinema Dramatic2020
Farewell AmorFarewell AmorEkwa MsangiEUASundanceUS Dramatic2020
ShirleyShirleyJosephine DeckerEUASundanceUS Dramatic2020especial do juri
SummertimeSummertimeCarlos López EstradaEUASundanceNext <=>2020
Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição Lemohang Jeremiah MoseseLesotoSundanceWorld Cinema Dramatic2020
Welcome To ChechnyaWelcome To ChechnyaDavid FranceEUASundanceUS Documentary2020
Jantar na AméricaDinner in AmericaAdam RehmeierEUASundanceUS Dramatic2020
LuxorLuxorZeina Durra Reino UnidoSundanceWorld Cinema Dramatic2020
Mães de AluguelThe SurrogateJeremy HershEUASXSW2020
Casa de AntiguidadesCasa de AntiguidadesJoão Paulo Miranda MariaBrasilToronto2020
AranhaArañaAndrés WoodChileToronto2019
BeansBeansTracey DeerCanadáToronto2020
Estava Chovendo PássarosIl Pleuvait des Oiseaux Louise Archambault CanadáToronto2019
MurmúrioMurmurHeather YoungCanadáToronto2019
17 Quadras17 BlocksDavy RothbartEUATribeca2019
499499Rodrigo ReyesEUATribecaDocumentary2020
17 Quadras17 BlocksDavy RothbartEUATribecaDocumentary2019
LoreleiLoreleiSabrina DoyleEUATribeca2020
Meu Coração Só Irá Bater se Você PedirMy Heart Can’t Beat Unless You Tell It To Jonathan CuartasEUATribeca2020
A HerdadeA HerdadeTiago GuedesPortugalVenezaCompetition2019
Miss MarxMiss MarxSusanna Nicchiarelli ItáliaVenezaCompetition2020
Zanka ContactZanka ContactIsmaël El IrakiFrançaVenezaOrizzonti2020
Crianças do SolKhorshidMajid MajidiIrãVenezaCompetition2020
Sportin’ LifeSportin’ LifeAbel FerraraItáliaVenezaout-of-competition2020
Nova OrdemNuevo Orden Michel FrancoMéxicoVenezaCompetition2020juri
NotturnoNotturnoGianfranco RosiItáliaVenezaCompetition2020
Entre MortesSepelenmis Ölümler ArasindaHilal BaydarovAzerbaijãoVenezaCompetition2020
Gênero, PanLahi, HayopLav DiazFilipinasVenezaOrizzonti2020diretor
PrefeituraCity HallFrederick WisemanEUAVenezaout-of-competition2020
Miss MarxMiss MarxSusanna Nicchiarelli ItáliaVenezaCompetition2020

Casa de Antiguidades

Publicado: outubro 20, 2020 em Cinema
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Casa de Antiguidades (2020)

Uma colagem de alegorias que remetem do passado ao presente do Brasil. O diretor João Paulo Miranda Maria é ambicioso em sua estreia, primeiro pela narrativa capaz de causar estranheza por não seguir a cartilha do começo, meio e fim, ainda mais pela presença fantasiosa/fantasmagórica de animais, lendas, fantasias e natureza que quase lembra Apichatpong. Ainda mais ambicioso pela quantidade de temas que promove orbitar ao personagem caladão de Antonio Pitanga, que veio de Goiás, com seu berrante, trabalhar nesse laticínio de donos europeus no sul do Brasil.

Racismo e crise econômica, machismo e até a discussão separatista do sul que cansou de “pagar impostos para ser distribuído para o resto do país”. Ele gosta de rotular seu filme como “cinema caipira”, e também de dizer que não ter pensado em tratar de racismo quando escreveu o roteiro, mas o racismo é sim um tema destacado. O resultado geral é essa visão pessimista por todos os lados, onde vítimas podem se tornar vilões, onde o tradicional se impõe sob todos os aspectos, mas essa colagem de vários “brasis” num único personagem e sua cruzada contra todos parece buscar demais mas alegorias o brilho que o filme nunca encontra. É sempre bom o cinema que prefere perguntas do que respostas, mas talvez aqui falte finalizar as perguntas.

Suor

Publicado: outubro 17, 2020 em Cinema, Mostra SP
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Sweat (POL/SUE, 2020)

O começo é cheio de brilho, alto-astral, glamour, tal como parecem as vidas de todas as celebridades. A camera é quase claustrofica, quase sempre focada no rosto da influencer de ginastica. Como se fossemos mais um de seus seguidores avidos por nao só acompanhar seus videos, mas estar coladinhos em sua vida.

Todo esse glamour se desfaz quanto mais tempo passamos em sua vida privada. A melancolia da solidão, a inveja de até a mae ter um namorado, o vazio que a vida de influencer tem por trás de seus vídeos. Tudo isso é bem positivo no filme de Magnus von Horn, mas ele quer ir até mais fundo, deixar seu filme mais dark, um stalker, alguém para preencher seu vazio, entrevistas agressivas que oferecem palco para os discursos que o filme tanto queria pregar. O pesar demais nas tintas depoe um pouco contra ao interessante retrato dessa vida de beleza e glamour que atrai pessoas ou sentimentos vazios.

Todos os Mortos

Publicado: setembro 20, 2020 em Cinema
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Todos os Mortos (2020)

São raros os filmes que tratam do Brasil colonial, do país da escravidão, do período de monarquia ou do início da República. Nosso cinema ainda não desbravou esses períodos e o reflexo desses períodos no Brasil contemporâneo, e isso é tão curioso se pensarmos que talvez estejamos tão ideologicamente mais próximos daquela época do que nunca. É exatamente essa reflexão que nos permitem os diretores Marco Dutra e Caetano Gotardo. Sempre que podem a dupla insere metáforas que possam ser interpretadas com o hoje (isso sem falar na parte final). É sobretudo um filme sobre essa herança de preconceito racial, de superioridade racial, sobre o início mau resolvido de um republicanismo que resulta hoje em todas as estatísticas de desigualdade que conhecemos.

A família aristocrata em decadência logo após o fim da escravidão, mas que está desorteada mesmo com a morte da ex-escrava que cuidava da casa. As relações entre negros e brancas ainda tão delicadas, afinal a exploração não desaparece num passe de mágica, ou numa assinatura de um mero documento. De um lado há ainda a atmosfera fantástica, comum nos filmes de Dutra, a jovem que vê pessoas que não estão naquela casa, de outro diálogos e interpretações frias e tão pausadas, comum nos filmes de Gotardo. O resultado dessa mistura é um todo morno, principalmente em tudo que se relacionada aos dramas das três mulheres brancas da família Soares (que aliás ocupam mais tempo na tela), por outro lado o filme está sim cheio de boas ideias e intenções (a cena da mão branca na mão do garoto negro, o desconhecimento sobre povos africanos), mas que ficam melhor ajambradas nas nossas reflexões do que no próprio filme em si.