EP 127 – Deadpool em Segunda Instância

O episódio da semana está mais eclético que nunca. De um lado, o humor debochado de Deadpool 2 (17:42), outro muito aguardado filme com super-herói da Marvel. De outro, o resgate de todo o rito de impeachment da presidente Dilma, com o documentário O Processo (45:50).

E mais: Cantinho do Ouvinte e muitas Recomendações, além de comentários rápidos sobre as expectativas após mais uma edição do Festival de Cannes (11:40). Bom podcast!



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Vá e Veja

Idi i Smotri / Come and See (1985 – BIE) 

Guarda algumas da imagens mais poderosos que o cinema criou para exemplificar os horrores da guerra. Trata-se da invasão Nazista em aldeias da bielorússia, durante a Segunda Guerra Mundial. O amadorismo militar dos moradores locais frente a máquina de guerra alemã, e como fio condutor, um garoto (Aleksey Kravchenko) correndo como barata tonta, por entre as mãos da liderança local ou dos soldados alemães.

O diretor Elem Klimov trafega por entre o brutal e o irracional, principalmente pelas expressões impressionantes do rosto de Kravchenko. É o horror traduzido nas feições e olhares, na luta por sobrevivência. Estamos acostumados a atos de heroísmo no cinema, aqui temos apenas sequencias de horror  e comportamentos nefastos, em que impressiona o poder com que Klimov pode conceber imagens tão potentes ou claustrofóbicas. É o pior da guerra através de seu funcionamento ilógico e devatador. Um dos filmes mais acachapantes que o cinema poderá produzir, e sem dúvida inesquecível e perturbador.

Scary Mother

Sashishi Ded / Scary Mother (2017 – GEO) 

Dois filmes da Geórgia com temas ligadas à coragem da matriarca em se dedicar aos seus objetivos, deixando de lado o conforto socialmente esperado no ambiente familiar, forma assim uma boa dupla com My Happy Family. Por outro lado, o filme da diretora Ana Urushadze é muito mais denso ao explorar a complexidade dessa mulher madura, que passa a se dedicar à literatura, com textos provocativos e pouco usuais.

A familia aterrorizada com o conteúdo de suas histórias, as imagens que mergulham nos sonhos do subconsciente dessa nova autora. A estreia de Urushadze foge dos padrões e estabelece essa comunicação aflitiva com o público, a protagonista que quase se descontrói, enquanto passa a acreditar em sua capacidade. Nem que para isso, precise enfretar tudo e todos. Em tempos como esses, em que as mulheres arregaçam as mangas em busca de seu personagem, Scary Mother pode ser um grito de liberdade profissional e do eu mais intrínseco e escondido por detrás das convenções sociais.


Festival: Locarno 2017

Mostra: Cineasti del Presente

EP 126 – Vale a Pena Matar de Novo?

Vamos falar sobre remakes? De Eli Roth, que atualiza o hit dos anos 70 com Charles Bronson Desejo de Matar (18:00), passamos também por A Noite do Jogo (48:43), a comédia de ação com clara inspiração no cinema de David Fincher. Bons ganchos para uma análise sobre quando as refilmagens (1:05:57) são ou não válidas. Quais os bons filmes que retomam obras conhecidas? Quais superaram os originais? Quais trazem algo diferente?

E mais: Cantinho do Ouvinte, uma pitada dos primeiros destaques de Cannes 2018 e, nas Recomendações, a série Wild Wild Country e o outro filme do Garrel que chega aos cinemas. Bom podcast!


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Happy End

Happy End (2017 – AUS) 

O novo retrato de Michael Haneke da sociedade europeia, através de uma família disfuncional burguesa, não apresenta nenhum avanço em sua filmografia. O título (um sacarmo sintomático para quem conhece sua obra) carrega a ironia básica que sempre ousou pela ousadia com que provoca o estômago do público. Dessa vez, cai no cansaço de uma fórmula de personagens problemáticos e provocações mordazes.

No centro uma garota que precisa passar um tempo com o pai, encontra uma famila que só permanece pelas aparenças. Haneke tenta se adaptar às novas tecnologias, há presença forte das redes sociais, tela na vertical para imitar um celular, e outras artimanhas. Mas, o problema do filme está mesmo nessas relações ácidas e no sabor, pretensamente amargo, com que Haneke tenta enxergar toda a sociedade europeia capitalista. Beirando quase a ingenuidade, Haneke está anos luz além de toda sua filmografia.


Festival: Cannes

Mostra: Competição Principal

À Sombra de Duas Mulheres

L’Ombre des Femmes / In the Shadow of Women (2015 – FRA) 

Dentro da elegância do seu cinema pós Nouvelle Vague, o cineasta Philippe Garrel promove um interessante estudo da alma masculina, ou melhor da alma masculina ferida. No centro da trama temos o documentarista Pierre (Stanislas Merhar) e Manon (Clotilde Courau), esposa e companheira profissional. Juntos mal conseguem pagar o aluguel. Garrel parte para o desenvolvimento dos personagens, naquela fotografia branco e preto, e aquele charme narrativo que seu cinema nos convém.

A trama realmente se instala quando Pierre se apaixona por Elisabeth (Lena Paugam), e descobre que Manon também vive um caso. O orgulho ferido se torna um tormento para Pierre, consumido pela insegurança, apresenta suas fragilidades, perde o autocontrole. A partir dai, Garrel filme a descontrução de um homem, à sombra delas (como diz o título em português), num saboroso estudo do masculino fragilizado. Garrel é cinema para se acompanhar sempre.


Festival: Cannes 2015

Mostra: Quinzena dos Realizadores

EP 125 – Reescrevendo Cannes

A nova edição do Festival de Cannes começa essa semana e os cinéfilos já criam expectativas ao redor dos filmes que serão exibidos na mostra francesa. Nesse ‘esquenta’, a Varanda resolveu fazer diferente. Em uma volta no tempo, decidimos escolher quais seriam os nossos premiados na polêmica edição de 2017. É o Cannes Awards (12:40) da Varanda.

Para não sair de lá, comentamos dois filmes que fizeram parte da seleção oficial. Os Fantasmas de Ismael (41:50), dirigido por Arnaud Desplechin, foi a atração de abertura e chega agora aos cinemas. E Happy End (1:00:04), lançado diretamente nos streamings, mesmo tendo participado da competição e sendo dirigido pelo premiadíssimo Michael Haneke.

E mais: Cantinho do Ouvinte, Recomendações (destacando a estreia de Os Ciganos da Ciambra) e uma geral em algumas séries. Bom podcast!

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