Todos Lo Saben (2018 – ESP)

Do glamour em ser o filme de abertura do Festival de Cannes ao esquecimento, inclusive no próprio festival, afinal, o iraniano Asghar Farhadi tão premiado e passou 2018 com seu filme nada lembrado. Agora que começou a ser lançado em alguns países, e é fácil notar esse ostracismo.

O estilo de diálogos e dramas familiares de Farhadi está lá,como sempre, mas falta sangue latino para esse enredo, e principalmente aos personagens. Na trama, um casamento marcando reencontros, uma tragédia “exasperante”, segredos do passado, e plot twists, que ajudariam a envolver o publico. Sem doses de melodrama, mas com personagens e diálogos apáticos, o filme trafega por surpresas telegrafadas e só se equilibra mesmo pelo dilema moral do personagem de Javier Bardem. O resto é tudo no piloto-automático, muito aquém da vividez que Farhadi já mostrou quando tratava de questões bem mais próximas a culturas que ele conhece bem.

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Muitos filmes entre os indicados ao Oscar estão presentes nos debates do Podcast Cinema na Varanda. Ouça sobre eles, e muito maism nos links abaixo:

Vice (11:08) – Adam Mckay, EUA – 2018

Guerra Fria (45:52) – Pawel Pawlikovski, POL – 2018


Se a Rua Beale Falasse (16:41) – Barry Jenkins, EUA – 2018

Guerra Fria (44:06) – JUlian Schnabel, SUI/RU – 2018

The Kindergarten Teacher (2018 – EUA) 

Remake americanos de filmes estrangeiros sofrem quase sempre na comparação, porque resgatam a história, nem sempre o melhor do cinema que havia. Esse é o caso desse trabalho da diretora Sara Colangelo, homônimo do filme israelense de Nadav Lapid, sobre a professora que se torna tão maravilhada pela poesia precoce de um seus alunos, que a admiração se torna obsessão.

A trama é a mesma, o pai ausente, a professora que ama poesia e o garoto que solta versos, mas só quer ser uma criança normal e brincar, quando possível. O filme traz o incômodo através dos comportamentos da professora, que algumas vezes ultrapassa a irresponsabilidade. O peso da cultura está em seus discursos aos filhos, a babá do garoto, a todos a sua volta. E acompanhamos, passo-a-passo, o desequilíbrio gerado por sua compulsividade em notar e intensificar um possível dom precoce. É bem possível acompanhar, com interesse, o desenrolar desse relacionamento, tentar compreender as fragilidades dessa mulher madura, enquanto Colangelo busca a visão intimista e delicada, mas fica bem aquém do que Lapid oferecia com o filme original.

Behemoth

Publicado: fevereiro 11, 2019 em Cinema
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Bei xi mo shuo / Behemott (2015 – CHI) 

As imagens são belíssimas, a paisagem quase sempre cinza ou verde nos longos planos abertos dão sensação de uma imensidão única. O diretor Liang Zhao traz a tona a condição das minas de carvão na Mongólia Interior (província na China ao sul da Mongólia). Cidades fantasmas cujo governo tenta povoar são o menor dos problemas, a situação médica dos trabalhadores das minas é que é chocante. Numa das inúmeras cenas exasperantes um deles mostra as mãos cheias de calos, apenas uma pequena amostra do que o cinema pode oferecer entre dor e beleza. Mas Liang também quer ser poeta, e essa tarefa é bem mais difícil e nem sempre tão bem sucedida.


Festival: Veneza 2015

Mostra: Competição

São dois filmes e 15 indicações a Oscar. De um lado, o diretor grego Yorgos Lanthimos empresta seu toque bizarro a uma trama sobre a coroa britânica em A Favorita (13:56). De outro, o americano Peter Farrelly nos faz viajar ao sul dos EUA, nos 60, focando na questão do preconceito racial e narrando uma amizade improvável em Green Book – O Guia (48:13). Claro que, seguindo nossa tradição, repassamos e comentamos as carreiras dos cineastas.

Não poderiam faltar os desdobramentos do resultado do Screen Actor’s Guild Award, o SAG (1:15), no nosso Boletim do Oscar, embaralhando a temporada de premiações. Puxadinho da Varanda (1:30:00) destacando o My French Film Festival, a série Sex Education e os filmes Creed II e Mais Uma Chance. Nessa semana, o Cantinho de Ouvinte repleto de comentários dos varandeiros, do jeito que a gente gosta. Bom Podcast!


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The Green Fog (2017 – EUA) 

Guy Maddin já conseguiu ser bem mais criativo do que aqui, onde ele tenta trabalhar só com colagens de outros filmes clássicos para criar uma homenagem a Um Corpo que Cai e à cidade de São Francisco. Codirigido pelos irmãos Evan e Galen Johnson, demora um pouco até sacar que a montagem tenta recriar o clássico de Hitchcock, e logo a seguir a proposta cansa, até porque as conexões não são tão perfeitas assim. O resultado final é um remendo curioso, e um jogo de tentar adivinhar os filmes que estão sendo utilizados na montagem enquanto surge a estranha névoa verde.


Festival: Berlim 2018

Mostra: Forum

Der Letzte Mann / The Last Laugh (1924 – ALE) 

A desconstrução através da decepção. O porteiro de um hotel vivia orgulhoso, como se fosse aquele um dos empregos mais pomposos do mundo, abrir as portas e carregas malas aos hóspedes. Um novo gerente, um pequeno fraquejo e o porteiro é transferido para uma atividade mais leve, cuidar da higiene do banheiro masculino.

Começa a destruição moral e social do sujeito. O ator Emil Jannings é vital para o filme de Friedrich Wilhelm Murnau, capaz de transparecer todo o processo que perda de sua autoconfiança, do orgulho pessoal, até a posição caquética, quase um ser vegetativo, nem sombra daquele homem tão realizado. O epílogo guarda uma surpresa, um plot twist de roteiro, mas o marcante ficou mesmo um pouco antes, a solidão daquele olhar completamente desiludido, a desesperança marcada pela completa entrega à derrota. Um filme surpreendente, de uma cineasta que não se cansava de nos surpreender.