Na Vertical

naverticalRester Vertical / Staying Vertical (2016 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O cinema de Alain Guiraudie, novamente, buscando no bucólico sua forma de expressão. No anterior, era ao redor de um lago que personagens interagiam, que o mistério se intensificava. Já, dessa vez, o filme traz um personagem de fora para dentro do universo rural, que vem interagir e movimentar a vida pacata dos moradores, e através dele (O escritor – Damien Bonnard – com bloqueio criativo) Guiraudie redesenha conceitos elementares de sociedade e vida familiar.

Pai e filha pastores de ovelha, um senhor e o jovem que mora com ele numa estranha relação de necessidade e desagrado, fora as viagens fantásticas do escritor para uma misteriosa arvore na floresta. Guiraudie explora amor e desejo, hetero e homossexual, relações de paternidade fora dos padrões, jovialidade e velhice, sempre com sua pitada de mistério, não aquele mistério de que algo pode estar prestes a acontecer, e sim pela incerteza de compreender aqueles personagens. A diferença dessa vez é que na Vertical tem conceitos muito bem fundamentados que esse flerte com o fantástico não encaixam, fora a metáfora do título que Guiraudie tenta unificar tudo nessa única explicação que dá nome ao filme e aproxima-se mais do didático do que o lirismo de Um Estranho no Lago.

EP 50 – Os Intocáveis e Os Não-Me-Toques

Ame ou deixe. Esta semana, Chico Fireman, Michel Simões e Tiago Faria batem um papo sobre três diretores que despertam reações fortes nos cinéfilos: o canadense Denis Villeneuve, da ficção-científica ‘A Chegada’ (15:00), o americano Brian De Palma (com direito a top 5), tema do documentário ‘De Palma’ (36:55), e o canadense Xavier Dolan, do drama ‘É Apenas o Fim do Mundo’ (1:21:00). E mais: Cantinho do Ouvinte e Boletim do Oscar (7:32). Bom podcast!

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A Chegada

achegadaArrival (EUA – 2016) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A grandiosidade de Dennis Villeneuve agora chega ao espaço. Interessante como o cinema americano voltou a explorar ativamente esse gênero nos últimos anos após um curioso hiato. A abordagem do cineasta canadense é existencial, semelhanças facilmente perceptíveis com Arvore da Vida, de Terence Malick, até nos enquadramentos e distancia da camera de sua protagonista (Amy Adams). 

Passada essa primeira similaridade, podemos refletir do quanto Villeneuve busca inspiração em Kubrick e seu 2001 porque é pela incomunicabilidade que a narrativa desenvolve todo seu alicerce. Doze ovnis se espalham pelo planeta, imóveis. No misto de curiosidade e medo, os países se aproximam, tentam se comunicar enquanto participam do jogo diplomático com as demais nações (o que revelar e o que não revelar), ao invés de unir forças. 

A presença extraterrestre fica diminuída a capacidade linguística de desenvolver conhecimentos para estabelecer comunicação. Villeneuve usa como pano de fundo essa preocupação com o coletivo humano, mas realiza seu filme totalmente calcado nas experiências individuais de uma única pessoa (Amy Adams) e seus dramas pessoais a partir do contato com os heptapods. Dessa forma, o clima de mistério e interesse é canalizado na banalização individual quando o desfecho se encaminha.

Creepy

creepyCreepy (2016 – JAP) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Thriller psicológico travestido de filme policial, o novo trabalho de Kiyoshi Kurosawa mostra a elegância (assim como em seu outro filme deste ano, O Segredo da Câmara Escura) que combina perfeitamente com a brutalidade de crimes e outras cenas chocantes. Um dos expoentes do J-horror (cinema de terror japonês) deste século, o cineasta nipônico parece aprimorar, a cada filme, essa proximidade com o arthouse (que já demonstra quando não está em filmes de gênero).

A história é a de um casal, ele ex-policial e agora dando aulas, atormentados pelos comportamentos estranhos (o creepy do título  do vizinho. Entre a simpatia e a tendência a serial killer, a narrativa conduz ao público a um jogo de incertezas e atmosfera sufocante enquanto um hediondo, e não explicado, crime antigo também vem à tona. É verdade que o roteiro tem seus momentos questionáveis pela metade da história, mas retoma uma força vital no terço final, capaz de condensar toda aquela atmosfera de thriller em sequencias de tirar o folego.

Sala Verde

salaverdeGreen Room (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Desde sua exibição em Cannes, o novo filme de Jeremy Saulnier parecia ganhar ares de novo cult. Banda de punk rock metida numa grandes enrascada, acaba presa numa sala verde. Violência, drogas, a luta pela sobrevivência. O cineasta americano cria um suspense com doses de crueldade vistas em muitos filmes de terror. Tenta se aproveitar do ambiente para criar o claustrofóbico e assim subverter a sensação de suspense.

É uma pena que não há previsão de lançamentos nos cinemas do Brasil, faria sucesso num circuito restrito. Assim como é uma pena que a escolha do elenco possa entregar quem ficará para o último arco da trama. Fora isso, Saulnier é bem competente em trabalhar com a história que vaga entre o bizarro e o natural, até porque nada daquilo parece completamente impossível, ainda mais por essa visão marginal que se tem do mundo punk. As artimanhas do roteiro visando trazer personalidade a cada personagem (a entrevista, e a volta dela num momento crítico da trama) servem como referências, mas também não resolvem a questão de uma naturalidade pouco sufocante, clima esse que a todo momento o filme tenta buscar.

EP 49 – Cineastas Selvagens e Onde Habitam

De Harry Potter a Instinto Selvagem, o episódio da semana tem para todos os perfis de espectadores. Chico Fireman, Michel Simões e Tiago Faria comentam a superprodução de fantasia ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’ (13;59), a comédia dramática japonesa ‘Depois da Tempestade’ (1:18;14), e no embalo do lançamento de ‘Elle’, fazem top 5 e um balanço geral na carreira do diretor Paul Verhoeven (41:03), sem esquecer de nova rodada do Boletim do Oscar (9:45). Bom Podcast!

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Conquista Sangrenta | Carne e Osso

conquistasangrentaFresh+Blood (1985 – ESP/EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O fim da visão romântica da Idade Média, Paul Verhoeven filma o caos nas disputas bárbaras pela Europa. Ao mesmo tempo que explosões e catapultas atacam, prostitutas reclamam seu dinheiro e as pessoas andam como mulambos em trapos maltrapilhos. O desejo de todos é o mesmo: riqueza. Ouro e castelos são os alvos, enquanto os nobres tentam viver do luxo e dos romances.

Verhoeven realmente filma como se sentíssemos o cheiro de carne e osso, o temor pela chegada da peste, a falta de modos para se alimentar e o sexo como a mais libertária expressão do desejo individual em que a lei do mais forte impera. Estupros e promiscuidade lado-a-lado com o poder dos líderes e a ganância ignorante. Em sua transição ao cinema americano, o cineasta holandês oferece a barbárie como rotina costumeira.