Ep 139 – Oscar: Art Popular

A festa do Oscar tem perdido audiência, anos após ano. Para tentar recuperar seu público, três mudanças (7:12) foram anunciadas na semana passada. Elas estão causando uma chuva de criticas. Debatemos cada um delas, seus impactos e os prós e contras e perguntamos aos ouvintes: Quais categorias vocês gostariam que fossem incluídas ao Oscar? Ainda temos participação especial de Hélio Flores, lenda do Twitter cinéfilo, sobre o tema.

Nos cinemas brasileiros, a estreia do slasher O Animal Cordial (1:09:06), da diretora Gabriela Amaral Almeida, merece destaque. Violência e critica social em mais um filme nacional de gênero.

Cantinho do Ouvinte e Recomendações que incluem Christopher Robin, que estreia na próxima semana. Bom podcast!

 


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Dogman

Dogman (2017 – ITA) 

Por mais que se trate de uma história verídica, de um crime, que chocou a sociedade italiana, convém saber o mínimo possível antes de ver o novo filme do cineasta Matteo Garrone. Ele que já filmou a máfia em Gomorra, e criticou a exposição exagerada em Reality (só para ficar em alguns exemplos), vem com a história do pacato funcionário (Marcello Fonte) de um petshop, no subúrbio de Roma. Que joga futebol e tenta sobreviver de vida simples entre as mazelas da vizinhança.

Um ex-boxeador, viciado em drogas, perturba o bairro com sua agressividade e necessidade por alimentar seu vício. É Garrone, novamente, explorando a violência, só que, dessa vez, ela vem de onde menos se espera. Pode-se até compreender os caminhos que levaram ao crime, ainda assim é a forma como Garrone explora os tipos de violência que forma em seu cinema uma particularidade autoral.

Como cinema, a fotografia suja e a interpretação (premiada em Cannes) de Marcello Fonte fazem o contraponto mais positivo, quando o roteiro prefere demorar até o momento fatídico, buscando elementos no cotiadiano e nos relacionamentos da vizinhança para intensificar e justificar atos e personagens. Garrone ainda parece um cineasta com muito apetite, mas que ainda não acertou seu estilo, vide o fracasso de seu último trabalho (O Conto dos Contos), mas que prova ainda ser privilegiado nos festivais como um dos principais nomes do cinema italiano da atualidade.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Competição

Prêmio: Melhor ator

Cachorros

Los Perros (2017 – CHL) 

Não  vá ver o filme chileno com aquela impressão de outro-filme-sulamericano-sobre-ditadura-militar. A questão está ali, lantente, mas é muito mais sobre a posição da mulher (tanto em sua força, como em sua própria fragilidade, na sociedade). Mariana (Antonia Zegers) é essa mulher irregular e fascinante. Claramente de uma burguesia de mimos que sempre a afastaram da realidade de seu país. Vive cercada de seu amor por cães, e cavalos, e a boa vida que o marido proporciona.

Faz aulas de equitação, mas seu professor (Alfredo Castro) passa a ser investigado por ter participado de tortura contra militantes de esquerda no governo Pinochet. E Mariana, destemida, atrevida, age instintivamente. Curiosa por informações, ela seduz, se desinteressa, acha desimportente, quase um ultraje afastá-la de tão distino cavalheiro. Entre envolvimentos causais com homens, Mariana vive a verdade a seu modo, enquanto enfrenta a opressão dos mais machistas. Roteiro e direção de Marcela Said de um filme cuja personagem é tão rica e curiosa, dentro de suas inconsistências e irregularidades, das preocupações de um mundo que deveria girar ao seu redor.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Semana da Crítica

EP 138 – Ó Nois Aqui Traveiz

O ABBA está de volta aos cinemas e invade a Varanda com o novo Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo (10:37). Comparações entre os dois filmes, grandes momentos e outros nem tanto: um raio-x sobre o maior lançamento da semana.

O longa é mote para refletirmos um pouco sobre os Musicais dos Anos 2000 (1:02:42). Ainda há espaço para o gênero? Houve um ressurgimento ou eles nunca saíram de moda? Do bate-papo surge uma pequena lista de destaques do século.

Cantinho do Ouvinte, Recomendações e aberta nova votação para a Cinemateca da Varanda. Bom podcast!


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Tesnota

Tesnota / Closeness (2017 – RUS) 

Ao norte do Cáucaso, quase divisa com a Geórgia, se situa a cidade de Nalchik na República de Kabardia-Balkaria. Que assim como as famosas Chechenia e Osétia do Norte, ou até mesmo a já independente Ucrânia, segue travando conflitos violentos com a toda poderosa Rússia. É dai a inspiração do estreante Kantemir Balagov.

A filha ajuda o pai na oficina mecânica, à noite o jantar comemorativo para celebrar o noivado do filho. O primeiro tema são as relações familiares, Balagov discute a independência da mulher, através das cobranças e imposições familiares: emprego masculino, casamento, seguir as convenções sociais. De outro lado, um sequestro expõe o seio familiar ao desespero de perder tudo que tem em prol da liberdade do filho. E como a sociedade reage a uma crise como essa. Por fim, a questão militar, os rebeldes da região ocultos no dia-a-dia, tesnota significa proximidade, e coloca tudo tão de seus personagens, enquanto a câmera busca inspiração nos Dardenne, em planos-fechados, e uma vivacidade de quem inspira cinema como parece ser o início de Balagov. Interessante, por mais que seja difícil manter o ritmo narrativo o filme todo.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Un Certain Regard

Prêmio: Fipresci

O Animal Cordial

O Animal Cordial (2017) 

Sem medo de polêmica, chega aos cinemas a estréia na direção de Gabriela Amaral Almeida. Entre a critica social e o banho de sangue, a cineasta transforma o assalto a um restaurante, num habitar claustrofóbico de sobrevivência animalesca. Seguindo numa linha de cinema que Juliana Rojas e Marco Dutra tem se destacado, a diretora vai além, ao ser ousada e provocativa (herança de sua filmografia slasher), ainda que o roteiro possa seguir com caminhos questionáveis.

A força do poder, o instinto primitivo de sobrevivência e de dominação, a loucura ditatorial ao assumir tal posição. Está tudo ali, permeando esse ambiente perturbador de um assalto mal-sucedido. O filme traz a disputa de classes, o preconceito de gênero, o poder do sexo, e o sadismo oferecido pelo poder a níveis estratosféricos. A razão é quase posta de lado pela explosão de sentimentos, quando o pequeno empresário (Murilo Benício) se sente dono de si. Não deixa de ser uma alegoria, tratada em tons de tintas pesadas e escuras, em cenas violentas e quase anárquicas, e que talvez pequem pela necessidade de chocar ou pela total escolha pela irracionalidade que a dualidade do título não é representada.

EP 137 – Efeito Cai-Cai

Há muito o que falar sobre a franquia Missão: Impossível. A Varanda resgata todos os filmes da série e coloca em discussão suas diferenças e as assinaturas dos cineastas que os comandaram, além da trajetória de Tom Cruise como Ethan Hunt. E Missão: Impossível – Efeito Fallout (18:16) é um dos melhores filmes de ação dos últimos anos? Qual o ranking dos filmes? Ouça nossas opiniões e comente em nossas redes sociais.

O brasileiro Alguma Coisa Assim (1:09:13) também ganha espaço no podcast. Temos também uma pequena geral sobre as expectativas da seleção do Festival de Veneza. Além, é claro, de Cantinho do Ouvinte e nossas Recomendações. Bom podcast!


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