Francofonia – Louvre sob Ocupação

FrancofoniaFrancofonia (2015 – FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

É sintomático esperar um Arca Russa versão francesa, dada a relevância do grande filme que Aleksander Sokurov realizou no Museu Hermitage em 2002. Até por isso, Sokurov parte em caminho oposto em muitos aspectos, para essa versão patrocinada pelo próprio museu. Ao invés de contar a história da França, o cineasta russo versa sobre o momento delicado vivido pelo museu, a invasão Nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

O próprio diretor assume a narração, divide o docudrama entre imagens de arquivo e tomadas de grandes obras do museu, enquanto traça a história da preservação da arte, uma aliança colaborativa de um general Nazista e o diretor do Museu à época. O resultado final fica muito longe das reflexões existenciais lentas e enriquecedoras de Sokurov, se tornando mais uma diluição de parte das principais características do russo (desde sua linguagem, até seu estudo sobre o poder, e principalmente seu poder com as metáforas). O didatismo imperativo entre discussões sobre a relação arte e poder ou arte e vida, mas terminam genéricas e distantes daquele mergulho hipnótico de seus antigos filmes. Fica o gosto amargo da decepção, e de uma autopropaganda ao museu e à arte que, no mínimo, soa desnecessária.

Quando as Luzes se Apagam

quandoasluzesseapagamLights Out (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O medo do escuro. Que criança não cultivou essa paura, viu vultos, se aterrorizou embaixo das cobertas, e muito mais. Parte dessa ideia o curta Lights Out de David F. Sandberg, que premiado o levou a uma nova criação, sob a mesma ideia, para este seu longa de estreia. A estrutura é simples, primeiro um prólogo que remete ao curta (sem repeti-lo) e serve de boa introdução para a historia em sai, de uma mãe perturbada, que coloca em risco seus filhos por conta de uma entidade sobrenatural que só aparece no escuro, longe das luzes.

Perde-se muito tempo em explicações para trama, aliás, ele até repete a lenga-lenga, mais de um vez, quase um anticlímax. Porém, quando se concentra nos sustos, vai muito bem obrigado. Produzido por James Wan, o filme tem referencias claras a Invocação do Mal (por exemplo), mas funciona perfeitamente bem na arte de assustar, criar atmosfera e prender atenção do público. E, no fundo, esses são os maiores objetos de um filme de gênero. Brincar com terror e humor sempre é bem-vindo, pena que a lenga-lenga quebre parte dessa tensão, ainda assim vale bastante, e veja no cinema.

EP 35 – O Homem que Sabia Demais

No sábado (13), Alfred Hitchcock (31:54) completaria 111 anos. Dois dias antes, reestreou no circuito brasileiro Rebecca – A Mulher Inesquecível, indicado ao Oscar de melhor filme e o primeiro longa da fase americana do realizador. Os varandeiros Chico Fireman, Michel Simões e Tiago Faria aproveitam o momento para homenagear um dos nossos cineastas preferidos com um papo sobre nosso contato com esse cinema tão pessoal e tão universal… e, claro, top 5.

Filme de arte: faz sentido usar esse termo? No Cantinho do Ouvinte, discutimos o assunto e deixamos uma pergunta no ar. Depois, conversamos sobre a sensação indie Amor e Amizade (13:42), dirigido pelo queridinho Whit Stillman a partir de uma novela não tão conhecida de Jane Austen. Bom podcast!

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De Cabeça Erguida

La Tête Haute / Standiang Tall (2015 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Recentemente os Irmãos Dardenne trouxeram ao cinema O Garoto de Bicicleta, que trazia proposta parecida, ao retratar a violência explosiva de um garoto sem controle. O último filme de Emmanuelle Bercot, que abriu o último Festival de Cannes, repete a ideia. Desde o plano inicial temos o pequeno Malony (Rod Paradot) de frente a juíza (Catherine Deneuve), naquele momento por conta da incapacidade de sua desequilibrada mãe em ser responsável, mais tarde pelos próprios atos do jovem explosivo, delinquente por impulso.

Seguindo a capacidade do estreante ator, Bercot se equilibra em altos e baixos a fim de exprimir o comportamento indomável. São nos acessos de fúria que o filme se equilibra melhor, e nos dramáticos que peca pela obviedade. Questionamento interessante que fica é sob a maioridade penal e o poder do Estado em recuperar pessoas via Judiciário, a estrutura de reformatórios, prisões e os meandros das leis para menores de idade, entre punir e buscar a forma de canalizar comportamentos ao que chamamos de convívio social. No fundo tudo tenta ser justificado pela imaturidade, e essa responsabilidade talvez tivesse que ser dividida com outros padrões comportamentais.

Encurralado

encurraladoDuel (1971 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Conhecido como o primeiro longa-metragem de Steven Spielberg, ainda que foi feito para tv, e depois lançado no cinema, mostra o jovem cineasta numa completa demonstração das possibilidades que o cinema oferece. O roteiro tem apenas um fiapo, um motorista de carro e um de caminhão (que jamais aparecerá frente às câmeras) rivalizando após uma simples ultrapassagem na estrada. Spielberg cria um suspense eletrizante, cheio de cortes e enquadramentos que contribuem para a atmosfera perfeita.

Quem não conhece o início de carreira de Spielberg vai estranhar o ritmo e temática tão distantes que o consagrou em filmes de fantasia (ET) ou aventuras como Indiana Jones. Sinal da versatilidade e das possibilidades que a juventude de experimentação permite. Mesmo após tantos e tantos sucessos de critica e bilheteria, os anos 70 são a década que guarda os melhores filmes do provável cineasta mais famoso do mundo.

EP 34 – Agonia e Glória

No episódio olímpico desta semana, os varandeiros Chico Fireman, Michel Simões e Tiago Faria batem um papo sobre a agonia de assistir a ‘Esquadrão Suicida’ (18:26), a colcha de retalhos inspirada em personagens da DC, e a glória da abertura (2:24) da Olimpíada do Rio. Entre desastres e acertos, a conversa passa pelo drama venezuelano vencedor de Veneza ‘De Lo Te Observo’ (43:56), o novo longa com Tom Hanks ‘Negócio das Arábias’ (55:26) e o desfecho da série ‘Stranger Things’ (1:00:39). Bom podcast!

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La Vanité

la-vaniteLa Vanité (2015 – SUI) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O cinema volta a discutir a eutanásia no filme do diretor suíço Lionel Baier, que esteve presente em Cannes 2015. Longe do sentimentalismo barato, Baier prefere leves toques de humor enquanto permite a seu protagonista (Patrick Lapp) oxigenizar sua decisão enquanto se relaciona com o prostituto (Ivan Georgiev) que trabalha no quarto ao lado do hotel, e de Carmen Maura, como a pessoa que vem assistir à decisão. O filme segue mais interessante dentro do quarto de hotel, mais adiante abre a historia para pequenos flashbacks, e as premeditações de seus personagens diluem parte da proposta. No final, uma ode à vida e aos valores emocionais de um cinema motivacional.